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3I/ATLAS pode ser muito mais antigo do que se pensava

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3I/ATLAS pode ser muito mais antigo do que se pensava

Um artigo publicado no servidor de pré-impressão arXiv sugere que o cometa interestelar 3I/ATLAS pode ser mais antigo do que se pensava. A conclusão foi alcançada por meio da análise da composição química do cometa durante sua passagem próxima a Júpiter, que ocorreu na segunda-feira (16). Os dados coletados durante essa aproximação oferecem informações sobre a região de formação do cometa e sobre as fases iniciais da história da Via Láctea.

O cometa, descoberto em julho do ano passado pelo Sistema de Alerta de Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS), foi confirmado como um objeto de origem fora do Sistema Solar, tornando-se o terceiro corpo interestelar detectado na nossa região. Desde sua descoberta, o 3I/ATLAS passou rapidamente pelo Sistema Solar, realizando passagens próximas a Marte, à Terra e, mais recentemente, a Júpiter. A aproximação com Júpiter ocorreu a cerca de 53,5 milhões de quilômetros, uma distância considerada curta em termos espaciais. Essa interação pode ter alterado a trajetória do cometa, uma vez que ele se aproximou do “raio de Hill” de Júpiter, onde a gravidade do planeta pode influenciar a órbita de objetos menores. Cientistas aguardam novas observações para verificar possíveis mudanças na trajetória do 3I/ATLAS.

Pesquisadores também analisaram a composição química do cometa para entender sua origem. Estudos anteriores estimavam que sua idade variava entre três e 10 bilhões de anos, podendo ser mais antigo que o Sistema Solar, que tem 4,6 bilhões de anos. Rastrear a trajetória do 3I/ATLAS por milhões de anos é desafiador devido às interações gravitacionais na galáxia. Para superar essa dificuldade, cientistas utilizaram dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST). A análise espectral permitiu identificar elementos e isótopos presentes no cometa, revelando uma composição incomum, diferente de qualquer corpo conhecido do Sistema Solar. A água do cometa apresenta uma alta concentração de deutério, muito acima do padrão observado em outros cometas, o que é um forte indício de sua origem externa. Além disso, as proporções de isótopos de carbono também diferem dos valores típicos da nossa região galáctica, sugerindo que o 3I/ATLAS se formou em um ambiente distinto, possivelmente em um sistema rico em carbono e oxigênio.

Com base nessas evidências, os pesquisadores propõem que o cometa se originou em um período antigo da galáxia, durante fases intensas de formação estelar, seguidas por um enriquecimento químico gradual. A nova estimativa indica que o objeto pode ter entre 10 e 12 bilhões de anos, colocando-o entre os corpos mais antigos já observados, possivelmente formado logo após o surgimento da própria Via Láctea. As assinaturas químicas também sugerem que sua formação ocorreu em temperaturas extremamente baixas, inferiores a 30 kelvin, um ambiente típico das regiões frias e antigas da galáxia, reforçando a hipótese de sua elevada idade.

Para os cientistas, o 3I/ATLAS representa uma cápsula do tempo, preservando características de um sistema planetário primitivo e contribuindo para a compreensão de como planetas e outros corpos se formavam no passado. O estudo também possui implicações para a busca por vida, uma vez que a presença de elementos essenciais sugere que compostos complexos podem surgir em outros sistemas estelares, favorecendo processos prebióticos. Apesar dos avanços, mais análises são necessárias. Após sua passagem por Júpiter, o cometa seguirá em direção à constelação de Gêmeos, levando consigo informações valiosas sobre a origem do Universo.


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