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92 anos de Euclides: e onde estão os artistas da nossa terra?

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Nesta última sexta-feira do mês dedicado à Cultura Popular Brasileira, é importante refletir sobre o que temos vivido e o que ainda precisamos construir. A cultura é mais que lazer: é identidade, memória e também um direito garantido pela Constituição. Cabe ao poder público apoiá-la e incentivá-la, seja na música, no artesanato, na literatura ou nas festas populares.

Em Euclides da Cunha, percebemos um grande abismo entre a riqueza cultural que possuímos e a valorização que ela recebe. Nossa terra é um celeiro de talentos: de Pedro Sertanejo, um dos maiores sanfoneiros do Brasil, até os músicos, sanfoneiros, zabumbeiros e artesãos que mantêm viva a alma do sertão. Esse patrimônio vivo fortalece nossa identidade e movimenta a economia criativa.

No entanto, entristece ver como muitas vezes nossos artistas são tratados. Enquanto nomes de fora recebem cachês altíssimos, os da terra são relegados a palcos alternativos, recebem valores ínfimos e ainda sofrem atrasos. Essa prática passa a falsa mensagem de que nossa arte vale pouco, quando deveria ser motivo de orgulho e prioridade.

Às vésperas da festa pelos 92 anos de emancipação política, chama atenção a ausência de artistas locais nos cartazes já publicados. Nomes como Chico D’Oliveira, Rabelo Gonzaga, Antônio Rocha, Jarbas Nogueira ou mesmo o Del Feliz, apesar de não ser euclidense, tão bem retratou a história do Cumbe, seguem sem o devido reconhecimento. Valorizar os artistas da terra não é favor, é obrigação!

O que precisamos são políticas permanentes: editais de fomento, festivais que deem destaque aos nossos talentos, feiras de artesanato, centros culturais. E, sobretudo, pagamentos justos e pontuais, para que a arte seja fonte de dignidade, e não de sobrevivência marcada por migalhas ou pela necessidade de bajular políticos de plantão.

A cultura de Euclides da Cunha é rica, vibrante e diversa. Ela precisa estar no centro das políticas públicas, porque não se constrói cidadania marginalizando quem dá voz, cor e ritmo à nossa história. É hora de valorizar de verdade os nossos artistas. Quando a arte local é respeitada, todo o povo se engrandece. Viva a nossa cultura, viva o povo sertanejo!

Drª MARLENE REIS


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