A escala 6×1 ainda é tratada por muitos como algo “normal” no mercado de trabalho brasileiro, mas a normalização da exaustão não pode ser confundida com legalidade ou eficiência. Trabalhar seis dias seguidos para descansar apenas um revela um modelo que prioriza o funcionamento contínuo da empresa, muitas vezes à custa da saúde e da vida pessoal do trabalhador.
O aumento expressivo de casos de estresse, ansiedade, depressão e burnout não é coincidência. Jornadas desequilibradas afetam diretamente a saúde mental, reduzem a capacidade produtiva e comprometem relações familiares. Um trabalhador cansado não produz melhor, adoece mais rápido.
É preciso dizer com clareza: empregado com jornada equilibrada rende mais, erra menos e tem melhores condições emocionais para exercer sua função. Além disso, o tempo dedicado à família, ao descanso e ao lazer não é privilégio, mas elemento essencial para a dignidade humana e para a construção de um ambiente de trabalho saudável.
As empresas precisam avançar. Reduzir ou flexibilizar escalas é um passo importante, mas insuficiente. Disponibilizar atendimento psicológico aos funcionários deixou de ser diferencial e passou a ser uma necessidade. Ignorar os impactos emocionais do trabalho é fechar os olhos para um problema real que gera afastamentos, passivos trabalhistas e prejuízos humanos irreversíveis.
Repensar a escala 6×1 não é atacar o empregador, mas modernizar as relações de trabalho. O futuro pertence às empresas que entendem que cuidar da saúde mental não é custo, é investimento, e que produtividade sustentável não se constrói com exaustão, mas com respeito às pessoas.
DRª MARLENE REIS
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