A contratação do marqueteiro João Santana para atuar na pré-campanha de ACM Neto tornou-se um dos movimentos políticos mais comentados da semana. Conhecido por ter comandado campanhas presidenciais vitoriosas de Lula, Santana é considerado um dos profissionais mais experientes do marketing político no país e tem profundo conhecimento das dinâmicas sociais, culturais e eleitorais da Bahia.
A escolha também sinaliza, segundo a avaliação feita pela coluna “Conjuntura Política”, do jornalista Cláudio Andrade, do portal A Tarde, uma mudança de leitura sobre o cenário político baiano onde, ao recorrer ao estrategista que atuou em campanhas de Lula, Neto reconhece o peso do lulismo no estado e a dificuldade de viabilizar uma candidatura competitiva sustentada principalmente pelo discurso anti-Lula.
Outro fator que segundo o texto ajuda a explicar a decisão passa pela tentativa de corrigir rumos após a eleição de 2022. Naquele ano, a campanha de Neto foi marcada por críticas a escolhas consideradas equivocadas, como a definição de uma candidata a vice com pouca força eleitoral, declarações que geraram desgaste em torno da classificação racial do IBGE e a falta de uma estratégia mais conectada com o eleitorado do interior da Bahia.
Os dados eleitorais também ajudam a entender o reposicionamento. Levantamentos que cruzam os resultados das disputas para presidente e governador nos 417 municípios baianos entre 2014 e 2022 indicam que, na maioria das cidades, o voto em Lula esteve acompanhado do apoio ao candidato petista ao governo estadual. Nesse contexto, a presença de João Santana na estratégia da pré-campanha aponta para a tentativa de construir uma comunicação mais popular para ACM Neto e ampliar o diálogo com parcelas do eleitorado que tradicionalmente se identificam com o lulismo no estado.
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