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Advogado ligado a Lula critica PF ao defender Lulinha: ‘Eles atiram a flecha e pintam o alvo’

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Advogado ligado a Lula critica PF ao defender Lulinha: 'Eles atiram a flecha e pintam o alvo'

Amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, criticou severamente o trabalho da Polícia Federal na defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O filho do presidente está sendo investigado por supostas ligações com fraudes no INSS. Carvalho, que já foi cogitado para liderar o Ministério da Justiça, questionou a criatividade da investigação, que, segundo ele, busca indícios de ilícitos que não existem. Ele também denunciou vazamentos de informações do caso, que classificou como criminosos, mas expressou confiança na Polícia Federal e em seu diretor-geral, Andrei Rodrigues.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo na sexta-feira, 20, Carvalho comparou os governos de Lula e Jair Bolsonaro, afirmando que, na gestão anterior, houve tentativas de interferência do governo na Polícia Federal, o que não ocorre atualmente. No entanto, ele acredita que alguns membros da corporação não estão agindo de maneira republicana. Carvalho afirmou que a Polícia Federal, como instituição de Estado, está em disputa, refletindo a divisão da sociedade marcada pelo ódio e intolerância. Ele defendeu que Andrei Rodrigues tomará medidas enérgicas para preservar a credibilidade da instituição, ressaltando que o presidente Lula devolveu a independência e autonomia à Polícia Federal, que deve ser exercida com responsabilidade.

A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da Polícia Federal para comentar as declarações de Carvalho, mas não obteve resposta. O advogado negou categoricamente que Lulinha tenha recebido qualquer quantia do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em relação ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias. Carvalho afirmou que não houve repasses diretos ou indiretos e criticou a Polícia Federal por estabelecer linhas de investigação que considera exageradas e criativas, comparando-as a um delírio persecutório.

Ele destacou que ninguém deseja que Lulinha esteja acima da lei, mas não se pode permitir que ele seja tratado como se estivesse abaixo dela. A Polícia Federal investiga se Lulinha recebeu valores de Careca por meio da empresária Roberta Luchsinger, que é amiga em comum e alvo de uma operação em dezembro. Lulinha e Careca se conheceram quando ele foi convidado por Luchsinger para uma viagem a Portugal em 2024, onde visitou um projeto de canabidiol. Uma das suspeitas é que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil através da amiga. A PF também investiga repasses a uma agência de viagens e sugere que a mudança de Lulinha para a Espanha no ano passado poderia ser uma tentativa de evasão do Brasil. Ele abriu uma empresa na Espanha em janeiro deste ano.

Carvalho refutou essas alegações, afirmando que não houve repasses e que a quebra do sigilo bancário de Lulinha teria comprovado isso, já que os extratos não mostrariam transferências. Ele considerou o vazamento de dados como criminoso e tranquilizador. Sobre a viagem com Careca, Carvalho reiterou que Lulinha não tinha conhecimento das atividades ilícitas do lobista e que a visita à fazenda de canabidiol foi motivada por questões familiares.

A movimentação financeira nas contas de Lulinha, que totalizou R$ 19,5 milhões em quatro anos, também foi contestada. Carvalho argumentou que o Coaf não distingue entre entradas e saídas, resultando em duplicação dos valores a cada transferência entre contas do mesmo titular. Ele afirmou que o valor real seria cerca de R$ 5 milhões, proveniente de herança e empréstimos feitos ao presidente Lula durante seu período de prisão. A suspeita de evasão foi igualmente rechaçada, com Carvalho afirmando que Lulinha planejava a mudança para Madri desde 2023, antes do início das investigações.

A defesa de Luchsinger enviou uma petição ao STF questionando o vazamento de informações sobre o caso. No documento, a defesa argumenta que as transferências da empresa dela para a agência de viagens ocorreram entre dezembro de 2023 e junho de 2024, enquanto o contrato entre as empresas só foi firmado em dezembro de 2024. Com isso, a defesa sustenta que a premissa de que a triangulação configuraria lavagem de dinheiro é falsa.

Em dezembro, Lula comentou as suspeitas sobre a ligação de seu filho com a fraude do INSS, afirmando que se um de seus filhos estivesse envolvido, seria investigado. Carvalho destacou a diferença entre Lula e Bolsonaro, afirmando que enquanto um interfere em investigações para proteger a família, o outro pede que seu filho colabore com o STF. Ele acredita que a exposição forçada pelo inquérito pode ter um efeito paradoxal, sugerindo que Lulinha, que antes era visto como um problema, pode se tornar uma solução para Lula.


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