O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não deve dificultar a aprovação do projeto que extingue a escala de trabalho 6×1, que consiste em seis dias trabalhados seguidos de um dia de folga, e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. Alcolumbre teve um embate direto com o governo Lula ao liderar a votação que rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma autoridade que mantém contato próximo com Alcolumbre afirmou que a aprovação da nova escala, 5×2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de folga, está assegurada, caso dependa do presidente do Senado. Segundo essa fonte, Alcolumbre não criaria obstáculos que prejudicassem a base de parlamentares que o apoiam, os quais veem a aprovação do projeto como uma importante bandeira eleitoral para as eleições de outubro.
Apesar do apelo popular pelo fim da escala 6×1, há receios entre os governistas de que Alcolumbre possa atrasar o andamento da proposta. O senador não concorre à reeleição neste ano e poderia, em tese, obstruir a PEC, assim como fez com a instalação da CPI mista do banco Master. No entanto, Alcolumbre já teria sinalizado ao governo que não será um obstáculo para o avanço da proposta no Senado, que será analisada após a aprovação pela Câmara dos Deputados.
O mesmo interlocutor indicou que a questão está resolvida, apesar das tensões ainda existentes entre Lula e Alcolumbre. Outro contato ressaltou que o presidente do Senado já havia deixado claro que não se oporia ao andamento de pautas que fossem consideradas positivas para o país. Ele deve aguardar a aprovação da proposta pelos deputados antes de indicar o relator da matéria no Senado.
Embora haja essas sinalizações, o governo considera imprevisível a maneira como Alcolumbre lidará com o texto. Na terça-feira (26), Alcolumbre abriu espaço em sua agenda para receber empresários da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de SP) e de outros setores que defendem uma transição mais longa para o fim da escala 6×1. Esses empresários foram surpreendidos com a transição de apenas um ano anunciada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na segunda-feira (25).
A percepção atual é de que não há mais espaço para negociar mudanças na Câmara. A estratégia agora é dialogar com o Senado Federal para estender esse prazo ou tentar adiar o debate para depois das eleições, quando os parlamentares estariam menos suscetíveis a pressões dos eleitores e do governo.
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