Nesta quinta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recebeu uma comitiva de parlamentares governistas da CPMI do INSS em sua residência oficial. Durante o encontro, Alcolumbre afirmou que analisará as imagens da sessão da comissão antes de decidir sobre a possível reversão da aprovação do requerimento que solicita a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Os parlamentares do governo alegam que o presidente da CPMI, Carlos Viana, teria cometido fraude ao não realizar uma chamada nominal dos membros da comissão durante a votação do requerimento. Viana optou por uma votação simbólica, que foi aprovada em meio a outros 86 documentos relacionados a quebras de sigilo, convocações e pedidos de deputados e senadores.
Alcolumbre se comprometeu a ouvir ambos os lados da questão, além de consultar técnicos do Senado, antes de tomar uma decisão. Enquanto isso, os deputados e senadores da base governista descartam a possibilidade de judicializar a votação até que a posição de Alcolumbre seja divulgada.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou duramente Viana, acusando-o de aplicar um golpe na votação que resultou na quebra dos sigilos de Lulinha. Gleisi reafirmou que o governo irá recorrer da decisão e destacou que a votação foi manipulada, já que a base aliada tinha a maioria.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, também se manifestou, chamando a votação de "manipulada" e classificando a situação como um "absurdo". Ele enfatizou que a maioria dos votos era favorável à base aliada e que a proclamação do resultado por Viana não refletiu a realidade.
Por sua vez, Carlos Viana declarou que não pretende recuar de sua decisão e já começou a encaminhar os requerimentos aprovados na reunião da CPMI às autoridades competentes. Ele mencionou que tem sido ignorado em seus pedidos de reunião com Alcolumbre para discutir a prorrogação dos trabalhos da comissão e que não aguardará a decisão do presidente do Senado sobre as supostas irregularidades na votação.
Viana havia enviado um ofício a Alcolumbre na quarta-feira, solicitando uma manifestação sobre a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias, uma vez que o prazo atual de 180 dias se encerra em 28 de março. O senador mineiro anunciou que essa seria sua última tentativa de obter uma resposta sobre a continuidade dos trabalhos e que aguardará uma semana pela resposta de Alcolumbre. Caso não haja resposta ou a prorrogação não seja concedida, Viana considera recorrer ao Supremo Tribunal Federal, que já se manifestou anteriormente em favor da abertura de CPIs como um instrumento legítimo da oposição.
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