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Alerta nos EUA: Parasita que “devora carne viva” ressurge no Texas após 60 anos

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Alerta nos EUA: Parasita que “devora carne viva” ressurge no Texas após 60 anos

Autoridades sanitárias e pecuaristas dos Estados Unidos estão em estado de alerta após a confirmação de um caso da bicheira-do-novo-mundo em um bezerro no Texas, o primeiro registro da praga no estado em cerca de 60 anos. O caso foi identificado em La Pryor, no sul do Texas, próximo à fronteira com o México, onde larvas foram encontradas na região do umbigo de um bezerro de três semanas. O animal recebeu tratamento e deve sobreviver.

O parasita em questão é a larva da mosca Cochliomyia hominivorax, que se alimenta exclusivamente de carne viva de animais de sangue quente. A infestação ocorre quando a mosca deposita ovos em feridas abertas ou em áreas úmidas do corpo, como boca, nariz e olhos. Após a eclosão dos ovos, as larvas penetram rapidamente no tecido do hospedeiro, provocando dor intensa, sangramentos e infecções. Sem tratamento, a morte do animal pode ocorrer em cerca de dez dias.

As autoridades americanas estão preocupadas com o impacto econômico que um surto poderia causar na pecuária. Especialistas estimam que uma disseminação no Texas poderia resultar em prejuízos bilionários, redução do rebanho bovino e aumento nos preços da carne. A praga foi considerada erradicada do território continental americano em 1966, após campanhas de controle que incluíram a liberação de moscas machos estéreis. Apesar da erradicação, o monitoramento continuou devido a possíveis reintroduções do parasita vindas do México. Nos últimos anos, a praga avançou pela América Central e México, com registros crescentes em países como Panamá e Costa Rica.

Após a confirmação do caso no Texas, o governo estabeleceu uma zona de quarentena de 20 quilômetros na área afetada, impôs restrições no transporte de animais e intensificou a vigilância sanitária. A liberação de moscas estéreis foi acelerada, e uma nova instalação está sendo construída no Texas para produzir milhões desses insetos semanalmente. O tratamento dos animais infectados inclui medicamentos antiparasitários, remoção manual das larvas e desinfecção das feridas, podendo ser necessário sacrificar o animal em casos mais graves.

Embora o foco esteja na pecuária, o parasita também pode infectar humanos, embora os casos sejam raros e ocorram principalmente entre trabalhadores rurais e pessoas com feridas abertas. Os sintomas incluem feridas dolorosas e sangramentos. As autoridades afirmam que o risco para a população é baixo, pois o parasita não é transmitido entre pessoas ou diretamente entre animais. Em 2025, foi registrado o primeiro caso humano em décadas, de um paciente que havia viajado a El Salvador, onde a praga é endêmica.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, declarou que não há sinais de uma infestação em massa, mas pediu que os produtores rurais fiquem atentos a feridas suspeitas. Autoridades do Texas criticaram a resposta federal, alegando que o avanço da praga pelo México foi subestimado, e expressaram preocupação em evitar que o caso isolado se transforme em um surto maior.


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