N/A

Aliados de Lula falam em alívio com desistência de Janja e descartam crime eleitoral por desfile

2 views
Aliados de Lula falam em alívio com desistência de Janja e descartam crime eleitoral por desfile

A desistência da primeira-dama, Janja Lula da Silva, de participar do desfile da escola de samba que homenageou o presidente da República trouxe alívio a aliados próximos de Lula. Eles temiam que sua presença pudesse gerar desgaste político após a apresentação no Rio de Janeiro. A participação de Janja poderia fornecer argumentos para adversários de Lula e atrair críticas na imprensa, especialmente nas redes sociais, onde o bolsonarismo, principal oposição ao presidente, é forte.

Dirigentes petistas já haviam identificado o risco de críticas nas redes sociais dias antes do desfile, com muitos aliados de Lula se manifestando contra a participação da primeira-dama. Embora Janja demonstrasse empolgação com a ideia de desfilar, ministros foram proibidos de participar, e a avaliação jurídica do Planalto era de que sua presença não apresentaria problemas, uma vez que ela não ocupa um cargo formal no governo.

A maioria dos aliados e amigos de Lula que estavam no camarote da prefeitura do Rio de Janeiro não sabia que a primeira-dama não desfilaria. Opositores acusaram Lula, o PT e a escola de samba Acadêmicos de Niterói, responsável pelo desfile, de propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou essas acusações na quinta-feira (12), mas não descartou uma análise posterior de possíveis ilícitos.

Especialistas em direito eleitoral, conforme reportado pela Folha, consideram que o desfile poderia abrir espaço para ações na Justiça Eleitoral. No entanto, alguns avaliaram que a apresentação foi contida, o que poderia reduzir o impacto de eventuais ações. Advogados próximos a Lula argumentam que não há impedimentos legais para um desfile como o da Acadêmicos de Niterói. Se houvesse, o TSE teria proibido a apresentação. Oposição ao governo mencionou a cota de R$ 1 milhão em recursos públicos destinados à escola de samba, parte do patrocínio que beneficiou todas as agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, anunciou que irá ao TSE contra os "crimes do PT na Sapucaí". O partido Novo também declarou que pedirá a inelegibilidade de Lula em decorrência do desfile, medida que será tomada no momento do registro da candidatura, com prazo até 15 de agosto.

Em nota, a primeira-dama afirmou que não desfilou para evitar perseguições a Lula e à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que apresentou o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". O desfile também incluiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal adversário político de Lula, que foi retratado como um palhaço vestido de presidiário, em referência à sua condenação por tentativa de golpe.

Aliados de Lula consideraram o saldo do desfile positivo. Embora houvesse receios de vaias contra a escola ou o presidente, não foram percebidas manifestações significativas do tipo na plateia. No entanto, petistas reconhecem que a escola de samba que homenageou Lula pode não ter um bom desempenho na disputa no Rio de Janeiro, já que a Acadêmicos de Niterói foi promovida ao Grupo Especial no ano passado.

Durante sua presença na Sapucaí, Lula passou a maior parte do tempo em uma área reservada no camarote da prefeitura, com seu perímetro controlado por seguranças da Presidência da República. Janja e o prefeito Eduardo Paes (PSD) foram os que mais se aproximaram do presidente. Apesar disso, Lula circulou e conversou rapidamente com diversas pessoas presentes, descendo com Paes até o local dos desfiles.

As conversas mais longas de Lula foram com o prefeito, que concorrerá ao governo em outubro. Diversos ministros, como Camilo Santana (Educação), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Margareth Menezes (Cultura), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além do vice-presidente Geraldo Alckmin, acompanharam o presidente. O camarote também recebeu deputados e outros políticos convidados por Lula e Eduardo Paes, além de um grupo de sindicalistas de São Paulo.

Este desfile marca a primeira vez desde o governo Getúlio Vargas que uma grande escola de samba do Rio homenageia um presidente da República em exercício. O episódio remete à década de 1950, quando agremiações como Vila Isabel e Portela celebraram o retorno de Vargas ao poder. Nos últimos dias, Lula e Janja participaram de diversas celebrações de Carnaval pelo Brasil, incluindo eventos em Recife e Salvador.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Rolar para cima