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Anotações de Flávio sobre palanques do PL sugerem troca de vice de Tarcísio e risco em MG

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Anotações de Flávio sobre palanques do PL sugerem troca de vice de Tarcísio e risco em MG

Anotações feitas pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma reunião da cúpula do PL, realizada na terça-feira (24), revelam os planos do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para as eleições deste ano, além de opiniões sobre candidatos que não são divulgadas ao público. A Folha teve acesso ao documento, intitulado "situação nos estados", que contém uma lista impressa de possíveis concorrentes e diversas anotações manuscritas. Na quarta-feira (25), Flávio confirmou ser o autor das anotações, que estão em primeira pessoa, mas afirmou que muitas opiniões registradas não são suas, mas de outros participantes da reunião.

Na sala onde o documento foi discutido, estavam presentes os políticos da cúpula do PL, além de Flávio. O senador participou de reuniões com seu coordenador de campanha, Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Flávio esclareceu que as anotações não refletem seu pensamento pessoal, mas sim as impressões e opiniões de pessoas com quem conversou, que ele registrou para considerar posteriormente.

No topo da primeira página, há uma anotação que diz "ligar Tarcísio", referindo-se ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As anotações sobre São Paulo discutem possíveis candidatos para a vaga de vice de Tarcísio, que busca a reeleição. O nome do atual vice, Felício Ramuth (PSD), aparece associado a um símbolo de dólar, uma vez que ele é alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro, a qual ele nega. Também é questionado se André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa e membro do PL, poderia ser o vice.

O deputado Guilherme Derrite (PP) é um dos candidatos ao Senado na chapa bolsonarista, mas o segundo nome a ser indicado pelo PL ainda não foi definido. O rascunho menciona cinco possíveis candidatos: Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano. A reunião foi convocada por Flávio e seus principais aliados para traçar um panorama do partido a poucos meses da eleição nacional, sendo um "brainstorm" sobre a situação atual, segundo interlocutores do senador. O registro oficial de candidatos ocorrerá apenas em agosto.

O documento também revela a descrença da cúpula do PL em Minas Gerais em relação ao vice-governador Mateus Simões (PSD), que disputará o governo. A anotação diz "me puxa para baixo" e menciona que, se Simões for candidato, Cleitinho e Pacheco também são opções, referindo-se ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e ao senador Cleitinho (Republicanos). O PL considera lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo, já que não possui um candidato definido em Minas. O deputado Nikolas Ferreira, que era cogitado, não deseja concorrer ao Executivo.

Os nomes do senador Carlos Viana (Podemos-MG), do secretário Marcelo Aro (PP) e dos deputados Eros Biondini (PL-MG) e Domingos Sávio (PL-MG) estão registrados como candidatos ao Senado, mas apenas Viana e Sávio têm um traço de endosse ao lado do nome. Em Alagoas, o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil) são considerados para o governo. O rascunho indica que é necessário conversar com JHC até 15 de março e que Gaspar é "o único que pedirá voto para mim".

Entre os candidatos ao Senado em Alagoas, uma anotação menciona "Arthur (JB)", sugerindo que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode apoiar o deputado Arthur Lira (PP-AL) para a vaga. Um acordo no PL estabelece que Bolsonaro definirá os candidatos ao Senado, enquanto Valdemar escolherá os candidatos aos governos estaduais. O documento também revela um impasse no Distrito Federal, onde a chapa do partido seria composta pela vice-governadora Celina Leão (PP) como candidata ao governo, acompanhada das candidatas ao Senado Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL). Contudo, uma anotação observa que, se Ibaneis Rocha (MDB) for candidato ao Senado, não será possível oficializar a chapa com Celina, pois não haveria espaço para duas candidatas do PL.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve ser o apoiado pelo PL, com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) como possíveis candidatos ao Senado. Uma anotação diz "Recall/melhor nas pesquisas" em referência a Contar. O deputado federal Marcos Pollon, que se identifica como bolsonarista, manifestou interesse em concorrer ao governo ou, se preferido por Bolsonaro, ao Senado. O rascunho registra que Pollon "pediu 15 mi para não ser candidato". Em resposta, Pollon afirmou que a anotação "não faz o menor sentido" e que não fez tal pedido a Valdemar.

O documento também menciona Gianni Nogueira, esposa do deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), que é cotada para o Senado. A anotação diz "Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)", mas o deputado negou que tenha havido esse pedido e afirmou que ela conta com o apoio de Bolsonaro. Flávio declarou que, embora tenha anotado sobre pedidos de dinheiro, esses fatos não ocorreram. Ele ressaltou que a interpretação da imprensa sobre o pedido de Pollon é distorcida e que a anotação foi feita para alertá-lo sobre informações falsas.

Na Bahia, o PL prioriza uma aliança com ACM Neto (União Brasil), que disputará o governo. A anotação diz "Conversar primeiro, depois tratamos de palanque completo". No Ceará, o plano é apoiar Ciro Gomes (PSDB), com o PL integrando sua chapa. No Piauí, Ciro Nogueira, presidente do PP, é mencionado como opção de apoio ao Senado. O documento indica que o senador Efraim Filho (União Brasil-PB) deve se filiar ao PL para concorrer ao Governo da Paraíba, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga (PL) deve disputar o Senado.

O deputado federal Giacobo (PL-PR) "não pode ser candidato (Valdemar)", segundo o rascunho. O PL planeja apoiar o deputado Filipe Barros (PL) para o Senado, e a possibilidade de apoiar um segundo nome, como Cristina Graeml, é considerada inviável, pois "atrapalharia Filipe". O PL busca a eleição de Deltan Dallagnol para o Senado, considerando que há apenas duas vagas disponíveis. O rascunho menciona que Dallagnol é o "Candidato do Ratinho [Junior, do PSD], primeiro nas pesquisas".

No Rio Grande do Sul, a situação está definida com um "ok". O candidato ao governo será o deputado federal Zucco (PL), enquanto os candidatos ao Senado serão os deputados Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo). O ex-ministro Onyx Lorenzoni (PP) está envolvido nas negociações para a vice-governadoria. A anotação diz "Ligar para Onyx e comunicar. Oferecer vice para o PP (Covatti [deputado federal] aceita)".

Em Goiás, os possíveis candidatos ao governo incluem o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o senador Wilder Moraes (PL). Para o Senado, estão cotados o deputado Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil), esposa do governador Ronaldo Caiado (PSD). O senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, é mencionado com a observação "primeiro lugar nas pesquisas". Sua nora, Janaina Riva (MDB), está entre os cotados para o Senado e "será candidata de qualquer jeito", conforme o rascunho.

Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin (PP) foi excluído da chapa para o Senado, que contará com Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada Caroline de Toni (PL), conforme determinação de Bolsonaro. O nome de Amin aparece riscado no rascunho.


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