A ANP (Agência Nacional do Petróleo) condicionou a retomada da perfuração na bacia da Foz do Amazonas, pela Petrobras, à apresentação de esclarecimentos sobre o vazamento de fluido sintético na região, considerada ambientalmente sensível. A decisão, registrada em reunião na quarta-feira (7), determina que a petroleira deve fornecer uma avaliação inicial das causas do incidente, seus potenciais impactos e as ações mitigadoras necessárias antes de reiniciar as operações.
O documento afirma que a unidade ODN II (NS-42) só poderá retomar a perfuração após autorização expressa da ANP. Durante o encontro, a Petrobras informou que ainda não identificou a causa do vazamento, que foi maior do que o inicialmente reportado, totalizando pouco mais de 18 mil litros, em vez dos cerca de 15 mil litros mencionados anteriormente.
A Petrobras não respondeu ao pedido de comentários, mas já havia declarado que o vazamento foi contido e que o fluido é biodegradável, não representando risco ao meio ambiente ou à saúde das pessoas. Antes da reunião com a ANP, a empresa avaliava que a campanha exploratória em águas profundas do Amapá poderia ser retomada em até 20 dias, conforme fontes próximas.
O vazamento gerou protestos de ativistas e organizações indígenas locais. Desde o início das tentativas de licenciamento para a atuação de petroleiras na área, ambientalistas alertam sobre os impactos potenciais da exploração de petróleo nos ecossistemas marinhos e costeiros da região. A perda de fluido foi identificada no domingo (4) em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, o que resultou na paralisação das atividades.
A ANP confirmou que estabelecerá condicionantes para a Petrobras retomar a perfuração apenas após a identificação das causas imediatas do incidente e a implementação das ações de mitigação necessárias. A agência também mencionou que foi informada do vazamento pela Petrobras dentro do prazo estabelecido, que é de até quatro horas. A petroleira comunicou uma falha na conexão do riser, que liga a sonda ao poço. A ANP destacou que a Petrobras isolou as linhas que causaram o vazamento e está recolhendo o riser para corrigir a falha.
A estatal passou anos buscando a licença para perfurar na Foz do Amazonas, que é considerada uma nova fronteira exploratória devido ao seu grande potencial. A região possui a mesma geologia da Guiana, onde a ExxonMobil desenvolve grandes campos de petróleo. A ANP planeja inspecionar a sonda de perfuração em fevereiro, embora uma fonte próxima tenha indicado que a perfuração pode ser retomada antes dessa data. Ao iniciar a perfuração em outubro, a Petrobras estimou que as atividades durariam cerca de cinco meses.
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