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Após 14 anos, ex-policial acusado de atirar na cabeça da ex-namorada vai a júri nesta sexta em Salvador

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Após 14 anos, ex-policial acusado de atirar na cabeça da ex-namorada vai a júri nesta sexta em Salvador

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) irá julgar nesta sexta-feira, 10 de abril, um ex-policial militar acusado de tentativa de homicídio contra sua ex-namorada, Jéssica Reis Ramos, crime que ocorreu em 9 de junho de 2012. O réu também é acusado de homicídio em relação a Jaime, um jovem que estava presente no local e não sobreviveu.

Segundo a denúncia e o relato do advogado da vítima, Alexandre Dortas Sobrinho, o réu não aceitou o término do relacionamento com Jéssica. Na noite do crime, ele teria levado a mulher para uma área isolada atrás de um hotel em Ondina, onde disparou um tiro em sua cabeça. Ao notar a presença de Jaime, o ex-policial também teria atirado contra ele, resultando na morte do rapaz. A versão inicial do réu, que alegou ter sido uma tentativa de assalto frustrada, é contestada pela família da vítima e pelo Ministério Público.

A mãe de Jéssica, dona Cristina, deu um depoimento ao Bahia Notícias sobre os eventos que antecederam o crime. Ela revelou que o namoro entre sua filha e o réu começou quando Jéssica era menor, sem o conhecimento ou consentimento da família. Dona Cristina expressou sua desaprovação desde o início e, mesmo após um conselho de uma pessoa próxima, que a alertou sobre a possibilidade de consequências negativas, nunca aceitou o relacionamento de forma plena.

Ela descreveu o comportamento do réu como controlador e ciumento, afirmando que ele tratava Jéssica como um objeto, proibindo-a de ter amigos e saindo. A mãe também mencionou que o ex-policial, por ser da corporação, frequentemente portava armas, o que gerava preocupação. Segundo ela, Jéssica já havia terminado o namoro antes do crime, mas o réu insistia em reatar. No dia do crime, ele teria chamado Jéssica para sair, mas ela recusou, afirmando que não havia mais nada a discutir.

Dona Cristina relatou que, momentos antes do crime, o réu estava armado e demonstrava nervosismo. Ele teria ido até a casa da mãe de Jéssica em duas ocasiões, ameaçando que não se responsabilizaria pelo que poderia fazer. A mãe afirmou que, após o crime, Jéssica foi internada em estado grave e que o réu tentou entrar na UTI por três vezes, o que ela acredita que era uma tentativa de finalizar o que havia começado.

Após o incidente, a família de Jéssica enfrentou perseguições e intimidações, levando a mãe a se mudar por orientação da delegada responsável pelo caso. Medidas protetivas foram solicitadas, mas o réu não as respeitou. O advogado da vítima informou que o réu foi preso, mas obteve alvará de soltura. Atualmente, Jéssica vive em outra cidade devido à perseguição.

O estado de saúde de Jéssica é grave, com a vítima apresentando cegueira em um olho e menos de 2% de visão no outro. A bala permanece alojada em seu cérebro, e ela sofre de crises convulsivas. A mãe relatou que Jéssica tem problemas de coordenação motora e fonoaudiologia, e a família depende do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) devido à incapacidade laboral da filha.

O advogado esclareceu que, na época do crime, o feminicídio ainda não era tipificado no Código Penal, por isso o réu responde por tentativa de homicídio e pelo homicídio de Jaime. O tribunal do júri está agendado para esta sexta-feira. Dona Cristina expressou seu desejo de justiça, afirmando que o que aconteceu com sua filha foi injusto e que ela não se intimidou diante das ameaças para não prosseguir com o caso. Ela espera que o réu compreenda a gravidade de suas ações e as consequências que elas trouxeram para a vida de Jéssica.


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