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Após 9 meses, jovem conta como teve corpo incendiado pelo marido na Bahia e acusa tentativa de feminicídio

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Após 9 meses, jovem conta como teve corpo incendiado pelo marido na Bahia e acusa tentativa de feminicídio

Uma jovem de Santo Antônio de Jesus, localizada no Recôncavo baiano, denunciou ter sido vítima de uma tentativa de feminicídio após sofrer graves queimaduras em 3 de junho do ano passado. Inicialmente, o caso foi tratado como um possível acidente, mas voltou a ganhar destaque após o relato da própria vítima, nove meses depois do ocorrido.

Conforme informações do Blog do Valente, que é parceiro do Bahia Notícias, as primeiras notícias indicavam que Manoele Oliveira teria sido incendiada dentro de casa pelo então companheiro, Isael Santos. Vizinhos relataram que a jovem saiu pedindo socorro e questionando o homem sobre o motivo do ataque.

Ambos ficaram feridos e foram levados ao Hospital Regional do município. Durante a internação, Isael Santos declarou à imprensa que o episódio teria sido acidental. Ele alegou que o incêndio começou enquanto transferia combustível da motocicleta e fazia uso de maconha, o que teria causado uma explosão. Essa versão passou a ser contestada ao longo das investigações.

Manoele sofreu queimaduras em aproximadamente 60% do corpo e ficou em coma por um longo período, sem condições de se comunicar. Após apresentar melhora, decidiu relatar sua versão por escrito, descrevendo um histórico de violências que havia sofrido. Em depoimento ao blog, a jovem afirmou que as agressões começaram antes da gravidez e ocorreram durante períodos de separação e reconciliação.

Ela relatou que o comportamento do companheiro era instável, com episódios de empurrões e violência física. Segundo Manoele, houve um período de aparente estabilidade após a descoberta da gravidez, mas a situação se agravou meses depois, quando ela descobriu uma traição.

A partir desse momento, as agressões teriam recomeçado, levando Manoele a decidir pela separação, que não foi aceita por Isael. No dia do incidente, segundo seu relato, ele se recusou a deixar a residência, iniciou uma discussão e ameaçou incendiar o local com um galão de gasolina.

De acordo com o depoimento, ele jogou o combustível sobre ela e ateou fogo. Manoele descreveu os momentos em que tentou apagar as chamas e conter o incêndio, que se espalhou pela casa enquanto sua filha estava no imóvel. Após conseguir sair, ela pediu socorro e foi atendida por vizinhos e equipes de emergência.

A jovem também relatou que, por medo e preocupação com a guarda da filha, não contou imediatamente o que havia ocorrido. Após ser internada, entrou em coma e acordou dias depois em Salvador. Além das queimaduras, ela afirma ter ficado com sequelas físicas e psicológicas.

O processo de recuperação incluiu a necessidade de reaprender funções básicas, além de enfrentar dores intensas, uso contínuo de medicamentos e complicações como trombose. Atualmente, Manoele ainda necessita de cirurgia em decorrência de lesões causadas pelo período de intubação. O caso continua a repercutir e pode ser investigado como tentativa de feminicídio.


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