Uma revisão científica publicada na revista The Lancet confirma que as vacinas de mRNA atualmente aprovadas são seguras e eficazes. O estudo reúne evidências de pesquisas laboratoriais, ensaios clínicos e o acompanhamento de bilhões de doses aplicadas durante a pandemia de Covid-19, destacando os benefícios dessa plataforma vacinal. Realizada por pesquisadores de instituições do Canadá, Hong Kong, Reino Unido e Estados Unidos, a revisão também sugere que a tecnologia pode ser ampliada no futuro. Além da Covid-19, os autores mencionam a possibilidade de desenvolver vacinas contra influenza, vírus sincicial respiratório (RSV) e outras doenças infecciosas, além de vacinas personalizadas contra o câncer e terapias baseadas em RNA.
Os pesquisadores analisaram dados sobre os mecanismos de funcionamento das vacinas de mRNA, pesquisas pré-clínicas, ensaios clínicos, sistemas de farmacovigilância e resultados observados após a autorização dos imunizantes. A revisão conclui que essa plataforma combina rápido desenvolvimento, possibilidade de produção em larga escala, forte resposta imunológica e um perfil de segurança favorável. O artigo também aborda um ponto frequentemente explorado por campanhas de desinformação, esclarecendo que o mRNA atua temporariamente no citoplasma das células, sem se integrar ao genoma humano, sendo posteriormente eliminado pelo organismo. Assim, a tecnologia não altera o DNA nem se classifica como terapia gênica.
A análise revela que as vacinas de mRNA apresentam, em média, 87% de eficácia contra infecção documentada por SARS-CoV-2, 93% contra hospitalização e 94% contra mortes entre 14 e 42 dias após a vacinação. Embora essa proteção diminua ao longo do tempo e possa ser menor diante de variantes como a Ômicron, doses de reforço ajudam a restaurar parte dessa eficácia. Anna Blakney, autora principal da revisão e pesquisadora da University of British Columbia, destaca que as evidências acumuladas durante a pandemia demonstram o impacto da colaboração científica no desenvolvimento de vacinas. Ela enfatiza a confirmação da segurança e eficácia da plataforma, além da importância do compartilhamento de dados de segurança e da vigilância contínua.
A revisão também aborda os eventos adversos associados às vacinas de mRNA, ressaltando que casos graves permanecem raros. Miocardite e pericardite ocorreram principalmente após a segunda dose, com taxas de aproximadamente 12,6 casos por milhão de doses da vacina BNT162b2, da Pfizer-BioNTech, e 35,6 casos por milhão da mRNA-1273, da Moderna. O risco de desenvolver essas inflamações cardíacas após uma infecção por SARS-CoV-2 foi significativamente maior do que o observado após a vacinação. Outras reações graves, como anafilaxia, também apresentaram baixa frequência, enquanto efeitos mais comuns, como dor no braço, fadiga e febre, foram classificados como leves ou moderados e desapareceram em poucos dias.
Além de avaliar o desempenho das vacinas já aprovadas, os pesquisadores discutem o futuro da tecnologia de mRNA. As possibilidades incluem imunizantes contra influenza, RSV e outras doenças infecciosas, além do avanço de vacinas personalizadas para o tratamento do câncer e terapias baseadas em RNA. Os autores defendem a ampliação da capacidade de fabricação em países de baixa e média renda, investimentos em transferência de tecnologia e melhorias nas condições de armazenamento e distribuição. Por fim, ressaltam que o monitoramento de segurança deve continuar após a aprovação das vacinas e que a eficácia pode variar à medida que novos vírus e variantes surgem, tornando essencial a vigilância contínua e a atualização das evidências científicas.
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