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Associações da Bahia receberam mais de R$ 8 milhões em operação sob suspeita ligada ao Banco Master

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O avanço das investigações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) revelou um novo eixo de apuração com origem na Bahia. Associações sediadas no estado e relacionadas à estruturação de carteiras de crédito teriam recebido, juntas, ao menos R$ 8,2 milhões em repasses vinculados a operações consideradas suspeitas.

A informação consta em apuração do jornal Folha de S.Paulo e amplia o alcance do caso, que já é tratado como uma das maiores fraudes financeiras da história recente do país. De acordo com a reportagem, os valores foram direcionados a entidades baianas que atuam na intermediação ou gestão de carteiras de crédito consignado — modalidade de empréstimo com desconto direto na folha de pagamento.

A Asseba (Associação dos Servidores da Saúde Afins da Administração Direta do Estado da Bahia) e a Asteba (Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia) foram alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em novembro do ano passado.

Os dados enviados pela Receita Federal indicam que a Asteba recebeu pagamentos do Master nos últimos três anos: R$ 1,63 milhão em 2025, R$ 2,99 milhões em 2024 e R$ 1,33 milhão em 2023, totalizando R$ 5,95 milhões. Já a Asseba recebeu cerca de R$ 2,3 milhões ao todo: R$ 553 mil em 2025, R$ 1,2 milhão em 2024 e R$ 533 mil em 2022. Não há registros no ano de 2023.

Essas carteiras estão no centro do escândalo por suspeitas de conter créditos inexistentes ou inflados artificialmente, posteriormente negociados com o BRB. O banco público do Distrito Federal adquiriu esses ativos no contexto de operações com o Banco Master, hoje alvo de investigações da Polícia Federal.

As transferências às associações levantam suspeitas sobre o papel dessas entidades na engrenagem financeira que sustentou o esquema. As investigações apontam que parte das carteiras de crédito negociadas no mercado teria sido estruturada com base em contratos irregulares — incluindo empréstimos não autorizados ou até inexistentes.

Em alguns casos já revelados, servidores públicos da Bahia descobriram dívidas vinculadas aos seus CPFs sem nunca terem contratado empréstimos, evidenciando a fragilidade — ou possível manipulação — dos registros dessas operações.

Esse tipo de ativo era posteriormente transformado em títulos e comercializado entre instituições financeiras, inflando artificialmente o valor das carteiras. O episódio se insere no contexto mais amplo do chamado “caso Master”, que investiga um esquema baseado na emissão de títulos sem lastro e na circulação de ativos simulados no sistema financeiro.

As operações sob suspeita envolvem cifras bilionárias. Estimativas apontam que o rombo pode ultrapassar R$ 12 bilhões, com impacto direto sobre instituições públicas e risco ao patrimônio estatal. O BRB, que adquiriu parte dessas carteiras, pode ter absorvido ativos problemáticos, o que levou à abertura de auditorias e investigações internas para apurar eventuais falhas de governança.

Fonte: Bnews


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