Convocados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), manifestantes se reuniram na avenida Paulista na tarde deste domingo (1º) para protestar contra o presidente Lula (PT) e os ministros do STF. O ato pedia "Fora, Lula, Moraes e Toffoli", referindo-se aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e defendia a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de anistia aos presos pelos ataques às sedes dos Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Um trio elétrico foi instalado na esquina com a rua Peixoto Gomide, próximo ao MASP. O deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), coordenador do movimento "Nas Ruas", informou que a organização do evento custou cerca de R$ 130 mil, arrecadados por meio de financiamento coletivo. Por volta das 13h, os manifestantes começaram a ocupar os quarteirões ao redor do MASP, exibindo cartazes com mensagens como "fora Moraes", "justiça e liberdade" e "Bolsonaro livre".
Uma faixa na entrada do parque Trianon chamava o STF de "Supremo Tirano Federal". Em frente ao MASP, um boneco inflável de Bolsonaro, com uma mordaça na boca, exibia a frase "falem por mim". Outro cartaz próximo ao trio elétrico dizia "fé em Eduardo Bolsonaro". O ato estava programado para às 14h, mas atrasou devido à ausência do pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao chegar, Flávio foi recebido com gritos de apoiadores, para os quais fez acenos do alto do carro de som.
"Estamos aqui lutando por um Brasil que estava indo bem com o presidente Bolsonaro. Teve esse estanque no meio do caminho. Vamos voltar para o caminho da prosperidade que o Bolsonaro estava nos levando. Não vamos permitir que o Lula jogue o Brasil no precipício", declarou Flávio a jornalistas antes de discursar. Apesar do destaque do filho de Bolsonaro no evento, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou que o protesto tivesse motivação eleitoral, afirmando que o principal objetivo era pedir pela soltura de Bolsonaro.
O governador Ronaldo Caiado (PSD), também presidenciável, ressaltou que a direita não pode perder as eleições deste ano. "Acredito que em 2026 um de nós vai chegar lá, e quem chegar terá coragem para desmontar tudo isso. Não podemos perder as eleições", afirmou à imprensa antes de subir no trio elétrico. Ele mencionou que Flávio Bolsonaro estaria em primeiro nas pesquisas, mas que ele próprio possui "autoridade moral para chegar à Presidência".
Do alto do palanque, Caiado cumprimentou o governador Romeu Zema (Novo-MG), presente no protesto, e destacou que qualquer candidato da direita que busca a Presidência tem o mesmo objetivo. "O primeiro ato será anistia plena, geral e irrestrita em primeiro de janeiro de 2027", disse. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não compareceu devido a compromissos na Alemanha. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), chegou após o início dos discursos e já havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro em sua candidatura presidencial.
Em meio a atritos internos no PL, a deputada federal Rosana Valle discursou em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem sido criticada por Eduardo Bolsonaro e alguns de seus aliados. "Michelle Bolsonaro está junto ao nosso presidente levando fé e coragem", afirmou Rosana, que é apoiada por Michelle para ser candidata ao Senado por São Paulo. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) descreveu o evento como uma "demonstração de força" da direita em defesa de Bolsonaro.
O ato ocorreu em meio a tensões entre os bolsonaristas, após Eduardo Bolsonaro ter considerado insuficiente o apoio de Nikolas e de Michelle à pré-candidatura de Flávio. Nikolas e Zema participaram do protesto enquanto Juiz de Fora, em Minas Gerais, enfrentava estragos causados por fortes chuvas, que resultaram na morte de mais de 60 pessoas. O presidente Lula criticou o governador mineiro na última sexta-feira (27) por não ter apresentado projetos para utilizar os recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no estado, destacando que a verba para contenção de encostas em Juiz de Fora está travada.
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