O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou com urgência que a investigação envolvendo o policial civil Douglas Willian Pedroso seja transferida para a Vara do Tribunal do Júri. O agente é acusado de dirigir embriagado e causar o atropelamento de uma mãe e seus dois filhos na zona norte da capital paulista.
A manifestação ministerial, assinada pela promotora Roberta Maria de Barros Fernandes, reforça a avaliação da Corregedoria da Polícia Civil de que o acusado atuou com dolo eventual, situação na qual se assume o risco de matar ao adotar uma conduta imprudente ao volante.
Enquadramento por dolo eventual e conduta no trânsito
De acordo com os autos formulados pela Promotoria, as provas colhidas revelam que o motorista trafegava em alta velocidade e desrespeitou a sinalização vermelha do semáforo antes de atingir os pedestres na travessia. O exame médico-legal confirmou o estado de embriaguez do condutor no momento do episódio.
A acusação sustenta que o conjunto das infrações comatidas ultrapassa o enquadramento de mera infração de trânsito. Ao alinhar alta velocidade, ingestão de álcool e avanço de sinal vermelho em uma via movimentada, o investigado teria assumido voluntariamente o risco de provocar mortes na faixa de pedestres.
Impacto das lesões nas vítimas e fuga do local
O caso ocorreu na Avenida Cruzeiro do Sul, situada na zona norte paulistana. Entre as vítimas, um menino de 10 anos sofreu traumatismo craniano, fratura exposta na perna e suspeita de hemorragia interna. A gravidade dos ferimentos exigiu uma intervenção cirúrgica complexa que mobilizou três especialistas durante cerca de sete horas.
Após o impacto, o policial não prestou socorro imediato às vítimas. Em depoimento prestado às autoridades, ele negou ter consumido bebidas alcoólicas e alegou ter acreditado que havia atingido apenas um objeto na pista. No entanto, o laudo pericial desmentiu a versão do condutor ao atestar a alteração da capacidade psicomotora.
Andamento processual e decisão nas mãos da Justiça
Inicialmente, a ocorrência foi registrada como crime de trânsito, mas o andamento das apurações levou ao indiciamento por três tentativas de homicídio. O investigado cumpre prisão preventiva enquanto aguarda os desdobramentos jurídicos.
O pedido formalizado pelo MPSP passará por análise de um juiz de direito. Caso a solicitação seja acatada pela magistratura, o processo sairá da vara criminal comum e seguirá para o julgamento popular perante o Tribunal do Júri.
Fonte: metropoles.com
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