O Banco Central pode aplicar medidas prudenciais preventivas ao Banco de Brasília (BRB) caso o governo do Distrito Federal não realize aportes até 31 de março, data limite para a divulgação do balanço do banco. Essa necessidade de aporte decorre das operações realizadas com o Banco Master, que resultarão em um rombo no balanço do BRB.
De acordo com informações do Estadão, o Banco Central pode recorrer à Resolução 4019, de 2011, que já foi aplicada ao Master. Essa resolução impõe restrições à instituição financeira, como a proibição de abrir novas agências, explorar novos negócios e limitações operacionais. O BRB informou que apresentou diversas alternativas ao Banco Central para a recomposição patrimonial e que o regulador concedeu um prazo para a implementação dessas medidas.
Tanto o Banco Central quanto o governo do DF não se manifestaram sobre o assunto. No mercado, a situação é vista como um ultimato para que o BRB melhore seus indicadores, sob risco de sanções mais severas, como intervenção ou liquidação. O novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, descartou a federalização como uma alternativa.
Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Ratings, explicou que as restrições impostas visam garantir que o banco recomponha seu índice de Basileia. Isso implica na redução de atividades, fechamento de agências e limitações em aumentos salariais, pagamento de dividendos e operações com certos produtos de crédito. O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos problemáticos do Banco Master, conforme investigações do Banco Central e da Polícia Federal. Esses ativos foram posteriormente trocados por outros, que a nova administração do BRB ainda tenta vender.
O valor final do rombo ainda não foi determinado. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, declarou em depoimento que a perda pode ultrapassar R$ 5 bilhões, mas fontes próximas indicam que o valor pode chegar a R$ 9 bilhões.
O governo do Distrito Federal, sob a liderança de Ibaneis Rocha (MDB), está considerando um aporte no BRB e avaliando opções como a venda de imóveis, a criação de um fundo imobiliário e empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e bancos privados, utilizando ativos imobiliários como garantia. Essas propostas foram apresentadas ao Banco Central e precisam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF. Ibaneis havia agendado uma reunião com deputados da base aliada para discutir o plano, mas o encontro foi cancelado.
Informações indicam que o governo acredita que o BRB pode vender ativos para outros bancos e cobrir o rombo sem comprometer o patrimônio do DF. No entanto, especialistas alertam que isso pode não ser suficiente. Aliados de Ibaneis afirmam que ele busca ganhar tempo para encontrar uma solução definitiva para a instituição financeira. A falta de consenso sobre o envio de um projeto à Câmara é uma preocupação, especialmente considerando que o governo começou o ano sem recursos para honrar compromissos.
O Banco Central considera 31 de março como um prazo crítico para o BRB e está preparado para aplicar as medidas restritivas da resolução 4019. A nova administração do banco, após a saída do ex-presidente Paulo Henrique Costa, investigado no caso Master, é vista de forma positiva pelo Banco Central.
Em 2025, o DF recebeu nota C de Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional, o que limita a capacidade de contrair novos empréstimos com garantia da União. O BRB também enfrenta uma crise de confiança devido aos negócios com o Master, resultando em duas ondas de saques que forçaram a venda de R$ 5 bilhões em carteiras para melhorar os índices de liquidez.
Os ativos vendidos incluem carteiras de crédito consignado e de antecipação de saque do FGTS. O BRB também negociou a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras de empréstimos a Estados e municípios, levantando R$ 730 milhões. No entanto, a venda de ativos não resolve o problema patrimonial do BRB, que depende de aportes do controlador. A venda de ativos já lançados no balanço não gera "dinheiro novo" e pode ocorrer com deságio, aumentando os prejuízos.
Os recursos novos do controlador são essenciais para cobrir o rombo causado pelos negócios com o Master e os prejuízos da venda de carteiras. O BRB precisa recompor seus índices de liquidez, e a venda rápida de ativos pode resultar em deságio, agravando o Índice de Basileia, que é um indicador de prudência exigido pelo Banco Central.
A nova gestão do BRB busca consolidar um plano até 31 de março, que abrange aporte de capital, geração de liquidez e recuperação de imagem. A estratégia é apresentar o balanço de 2025, refletindo a situação real do banco, e comunicar uma solução conjunta para o capital da instituição.
O BRB informou que, conforme o plano de capital preventivo apresentado ao Banco Central, foram propostas várias alternativas para a recomposição patrimonial. O regulador concedeu um prazo para a implementação das medidas. Entre as opções estão soluções de mercado, como a venda de carteiras e ativos, a estruturação de um fundo com imóveis e a contratação de linhas de crédito junto ao FGC ou consórcios de bancos. O aporte é uma das possibilidades em avaliação, mas não a única. O Banco mantém diálogo técnico e transparente com o Banco Central e assegura que suas operações continuam normalmente, sem impactos na continuidade operacional ou na execução de sua estratégia de negócios.
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