O deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, prestou um novo depoimento à Justiça nesta quinta-feira, 29 de fevereiro, no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana. Essa audiência marcou o fim da fase de oitivas do processo relacionado à Operação El Patrón, que investiga o parlamentar por suspeita de liderar uma milícia na região. A operação foi iniciada em dezembro de 2023.
A sessão foi conduzida pela juíza Márcia Simões Costa, substituta da 1ª Vara Criminal de Feira de Santana, mas o conteúdo do depoimento não foi revelado. Binho Galinha já havia sido interrogado anteriormente em 1º de dezembro, durante outra audiência no mesmo local.
O deputado é alvo de investigações por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e receptação de peças de veículos roubados. Durante as oitivas, foram ouvidas 80 testemunhas, sendo 77 indicadas pela defesa e três pela acusação. As testemunhas da acusação incluíram delegados da Polícia Federal e da Polícia Civil. Além de Binho Galinha, também prestaram depoimento na última audiência sua esposa, Mayana Cerqueira da Silva, e os policiais militares Roque Carvalho e Jackson Macedo Araújo Júnior, além de Thiere Figueiredo Silva, que é um dos réus do processo.
O processo foi instaurado em setembro do ano passado e enfrentou vários adiamentos devido ao grande número de testemunhas a serem ouvidas e à indisponibilidade de algumas delas. As primeiras audiências ocorreram nos dias 23 e 24 de setembro, mas a sessão marcada para o dia 25 foi suspensa pela ausência do deputado federal João Carlos Bacelar, que deveria depor como testemunha de defesa. O depoimento dele foi realizado apenas em 1º de dezembro, tornando-se a última testemunha ouvida antes dos interrogatórios dos réus.
Binho Galinha foi preso em 3 de outubro do ano passado, dois dias após ser considerado foragido da Justiça, no âmbito da Operação Anômico, um desdobramento da Operação El Patrón, conduzida pela Polícia Federal. As investigações apontam que o grupo supostamente liderado pelo deputado utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas, incluindo a venda de peças de veículos roubados por meio de uma loja de autopeças em Feira de Santana.
Atualmente, o parlamentar está custodiado em uma sala de Estado-Maior no Centro de Observação Penal, localizado no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. A manutenção da prisão foi respaldada por um entendimento do Supremo Tribunal Federal, que determina que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas a crimes cometidos durante o exercício do mandato e que estejam diretamente relacionados às funções parlamentares. A Justiça destacou que a maior parte dos crimes investigados ocorreu antes do atual mandato do deputado.
Com a conclusão da fase de instrução processual, o caso agora avança para a etapa de apresentação das alegações finais tanto pela acusação quanto pela defesa. Em caso de condenação, as penas podem somar mais de 50 anos de prisão.
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