O Carnaval de Salvador transforma a dinâmica da cidade, gerando expectativas entre os que apreciam a festa e levando os que não gostam a se afastar. As ruas da capital baiana se adaptam para receber camarotes, arquibancadas e novos portais, enquanto as aulas nas escolas são suspensas para dar espaço à folia. Nesse contexto, é importante que a programação da festa também considere o público infantil.
Tradicionalmente, as manhãs do sábado e domingo de Carnaval são dedicadas às crianças, especialmente no circuito Osmar, no Campo Grande, onde trios elétricos e guloseimas atraem os pequenos foliões. A pedagoga Aline Lisbôa, especialista em Psicopedagogia e Neurociência aplicada à educação, destaca que a festa pode ser benéfica para a construção da identidade infantil, sendo uma manifestação cultural significativa em Salvador.
Aline ressalta que o Carnaval pode contribuir para o desenvolvimento emocional e psicológico das crianças, além de fortalecer sua identidade e autorreconhecimento. Contudo, é necessário tomar precauções, já que a festa também é marcada por excessos, como o consumo de álcool e a exposição a conteúdos inadequados. Para garantir um ambiente seguro, os blocos infantis se tornam essenciais.
Um exemplo é o Bloco Ibéji, que desfila há 32 anos e foi criado para atender crianças carentes que não podiam participar de blocos carnavalescos. Marta Santana, presidente do bloco, explica que a iniciativa surgiu de um grupo de amigos com o objetivo de promover inclusão social no Carnaval. Atualmente, o bloco ainda distribui abadás para crianças da região, mantendo a proposta de pertencimento e valorização da cultura afro.
O Bloco Ibéji toma cuidados para garantir a segurança das crianças durante a folia, saindo cedo e contando com equipe de apoio. A música também é cuidadosamente selecionada, com composições que elevam a autoestima dos pequenos. Neste ano, o bloco lançou a canção "Cabelo Black", que celebra a beleza dos cabelos afros.
Outros blocos infantis, como o Algodão Doce e o Happy, também têm longa tradição no Carnaval de Salvador. Tio Paulinho, do bloco Happy, destaca a importância de criar memórias afetivas para as famílias que participam da festa. O repertório do bloco é diversificado, e a presença de bandas conhecidas, como a Filhos de Jorge, enriquece a experiência.
Aline Lisbôa enfatiza a necessidade de proteger as crianças de conteúdos violentos e sexualizados, enquanto a presença de blocos infantis e afros contribui para o fortalecimento emocional e a construção de identidade. Além do circuito Osmar, o Carnaval do Pelourinho também oferece atrações para o público infantil, como o Bloco Erê, do Ilê Aiyê, que desfila há mais de 30 anos e distribui roupas para as crianças.
O Bloco Erê, fundado por Mãe Hilda de Jitolú, surgiu para incluir crianças da comunidade e promover a música e a cultura afro. Vivaldo Benvindo, diretor-fundador do Ilê Aiyê, destaca a importância do bloco para a autoestima das crianças e a formação de músicos que, posteriormente, integram a banda principal do Ilê.
Aline conclui que o "brincar simbólico" é fundamental para o desenvolvimento emocional das crianças, permitindo que elas experimentem diferentes papéis e criem narrativas, o que é essencial para seu crescimento.
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