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Candidatura de Flávio Bolsonaro embaralha união de governadores da direita para 2026

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Candidatura de Flávio Bolsonaro embaralha união de governadores da direita para 2026

A indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), será seu representante na eleição de 2026 alterou as possibilidades de alianças entre os governadores da direita que eram cotados para a disputa pelo Palácio do Planalto. Entre eles estão Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO). A candidatura de Flávio sugere um cenário de fragmentação na oposição a Lula (PT) no primeiro turno. Tarcísio já afirmou que não pretende concorrer para apoiar Flávio, enquanto Ratinho voltou a ser considerado uma alternativa ao senador. Zema e Caiado também confirmaram suas intenções de disputar a Presidência.

Interlocutores de Tarcísio revelaram que o governador preferia Zema e Ratinho, nesta ordem, como possíveis vices, caso decidisse concorrer ao Planalto. No entanto, ele tem reiterado que buscará a reeleição em São Paulo. O governador de Minas, que representa o segundo maior colégio eleitoral do país, é visto como um vice que poderia fortalecer as campanhas de Ratinho ou Flávio. Antes do anúncio de Flávio, os governadores da direita haviam formado um grupo que mantinha contato frequente e compartilhava opiniões sobre temas como segurança pública e anistia a acusados de golpismo. A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos também foi um ponto em que os mandatários demonstraram um discurso unificado.

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Esse alinhamento gerou especulações sobre possíveis alianças eleitorais, com Tarcísio sendo considerado o candidato principal devido à sua ligação com Bolsonaro e à importância de seu estado. Zema já havia declarado que Tarcísio era o nome mais forte da direita e que poderia abrir mão de sua candidatura para derrotar o PT. O Novo lançou a pré-candidatura de Zema em agosto, quando ele admitiu a possibilidade de compor com outros partidos se Bolsonaro solicitasse. Contudo, em outubro, Zema descartou a possibilidade de ser vice e reafirmou sua candidatura ao Planalto, independentemente do apoio do ex-presidente.

A sintonia entre Tarcísio e Zema sugere que uma chapa com Flávio e Zema seria mais complicada, devido à falta de convivência entre eles e à resistência de parte do Novo em se aliar ao bolsonarismo no primeiro turno. A decisão de Flávio também impactou a candidatura de Ratinho, que é visto como uma opção por partidos da direita e centro-direita que hesitam em apoiar o filho de Bolsonaro. Gilberto Kassab, secretário de Tarcísio e presidente do PSD, já afirmou que não lançaria uma candidatura presidencial do partido caso Tarcísio fosse candidato, mas essa posição não se aplica à candidatura de Flávio. Em dezembro, Kassab indicou que o PSD apoiaria Tarcísio, e, caso ele não se candidatasse, haveria outros pré-candidatos no partido, referindo-se a Ratinho e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

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Com Flávio como candidato, a união eleitoral dos governadores poderia se restringir a uma chapa Ratinho-Zema, embora Zema afirme estar decidido a manter sua candidatura. Caiado é visto como um candidato que não desistirá facilmente, mas que provavelmente apoiará qualquer candidatura de oposição no segundo turno. Ao iniciar sua pré-campanha, Caiado reconheceu o direito de Bolsonaro de tentar viabilizar a candidatura do filho, mas reafirmou sua intenção de concorrer. Em dezembro, ele se reuniu com Flávio para discutir a eleição, especialmente a disputa estadual. No entanto, Caiado enfrenta questões partidárias, já que a federação União Brasil-PP não decidiu apoiar sua candidatura e inicialmente preferia Tarcísio. Na última semana, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), declarou à Folha que descartava a candidatura de Tarcísio e apostava em Flávio.


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