O projeto Carnaval Solidário estima que a iniciativa deve retirar entre 150 e 170 toneladas de resíduos recicláveis durante os dias de folia, representando um aumento de até 70% em relação às edições anteriores, que registravam cerca de 100 toneladas. Em 2026, pela primeira vez, o Carnaval da capital baiana também contará com uma operação estruturada para o recolhimento e reciclagem de vidro.
O projeto Carnaval Solidário Salvador é composto pelas cooperativas dos centros Cooperguary e Cooperbrava, que reúnem 500 catadores e catadoras de latinhas de alumínio, papelão, plástico e PET recolhidos nos circuitos da festa. A iniciativa faz parte de um coletivo que abrange mais de 14 cooperativas e cerca de 2.500 catadores.
Edmundo Góes, presidente da Cooperguary, destaca a importância dessa novidade, afirmando que o vidro recolhido não será descartado nas ruas ou aterros, mas seguirá diretamente para a indústria, onde será transformado em novos produtos. Salvador se torna a primeira cidade a implementar uma coleta seletiva tão abrangente no Carnaval, incluindo o vidro.
Os centros de reaproveitamento informam que o vidro é um dos materiais mais estratégicos para a reciclagem, pois é 100% reaproveitável, sem perda de qualidade. Uma única garrafa pode ser reciclada infinitamente, o que ajuda a reduzir a extração de recursos naturais e o volume de resíduos descartados.
Além do impacto ambiental, a operação traz uma transformação social significativa. A expectativa é que mais de R$ 2 milhões circulem na economia baiana por meio do trabalho dos catadores durante o Carnaval, um período que representa a maior oportunidade de renda do ano para muitos deles.
O líder da cooperativa menciona que o Carnaval é como um 13º salário, permitindo que muitos consigam reformar suas casas, adquirir bens e garantir uma maior segurança financeira. Com a redução dos atravessadores, os catadores de Salvador passaram a receber até 80% a mais pelos materiais coletados. O quilo da latinha de alumínio, por exemplo, pode ser vendido por R$ 8, enquanto intermediários pagam entre R$ 5 e R$ 6. Os profissionais também têm acesso a Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), balanças digitais para pesagem e apoio na alimentação.
Entre os materiais mais valiosos, a latinha continua liderando, com previsão de coleta entre 80 e 100 toneladas. O plástico, o papelão e, agora, o vidro ampliam a diversificação da renda e fortalecem a economia circular.
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