A Polícia Civil do Paraná desarticulou, nesta terça-feira, uma organização criminosa em Londrina, suspeita de aplicar golpes milionários utilizando dados de pessoas em situação de rua. O casal que liderava o esquema, cujos nomes não foram divulgados, mantinha um estilo de vida ostentatório sustentado por fraudes que começaram em 2021. Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão e nove de busca e apreensão.
Segundo o delegado Edgard Soriani, os líderes do grupo levavam uma vida de alto padrão que não condizia com a renda que declaravam. Entre os bens sequestrados pela Justiça, está uma mansão em Sertaneja avaliada em R$ 5 milhões, além de dinheiro em espécie e uma moto aquática. O esquema funcionava de maneira estratégica, dividido em duas frentes principais.
A primeira parte do golpe envolvia a exploração da vulnerabilidade das vítimas. Funcionários do casal se dirigiam a locais frequentados por dependentes químicos e pessoas em situação de rua, oferecendo quantias em dinheiro para que essas pessoas os acompanhassem até os comércios dos suspeitos, que incluíam uma loja de eletrônicos e outra de motos. A segunda parte consistia na abertura de contas. No local, a proprietária utilizava os documentos das vítimas para abrir contas de pessoa física e jurídica. Um aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi o uso do próprio comprovante de residência do casal para abrir diversas contas diferentes.
Para liberar empréstimos, os criminosos injetavam capital nas contas para simular movimentação financeira. Após conseguirem o crédito, realizavam os saques. Além das mais de 100 pessoas em situação de rua afetadas, o grupo também roubava dados de vítimas que não estavam em vulnerabilidade, residentes em outros estados. O alerta para a polícia surgiu de um banco de São Paulo, que identificou movimentações atípicas em cinco contas. Quando localizadas, essas vítimas afirmaram que não tinham conhecimento de que seus dados estavam sendo utilizados.
A polícia acredita que as lojas de eletrônicos e de motocicletas do casal em Londrina funcionavam como fachada para a lavagem do dinheiro ilícito. O delegado Soriani estimou que o prejuízo causado pela organização é milionário e destacou que a investigação, iniciada em 2023, enfrentou dificuldades devido ao fato de as principais vítimas não possuírem endereço fixo. Os cinco presos, incluindo o casal e três funcionários, responderão por diversos crimes.
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