Na sexta-feira (15), o influenciador Hytalo Santos e o marido, Israel Vicente, foram presos em São Paulo por exploração de menores na criação de conteúdo para a internet. As investigações estavam em andamento desde 2024, mas o caso ganhou repercussão nacional após uma denúncia feita pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, que publicou um vídeo denunciando a exploração e sexualização de crianças em conteúdos digitais.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, agosto concentrou o maior número de denúncias de violência sexual, física e psicológica contra crianças e adolescentes no ambiente virtual, com 261 registros. Desse total, 243 foram feitas após a publicação do vídeo de Felca.
Dados do relatório da rede internacional InHope, que reúne 55 canais de denúncia de crimes na internet em todo o mundo, apontam que o Brasil ocupa a 5ª posição no ranking de países com maior número de denúncias de abuso sexual infantil online — atrás apenas da Bulgária, Reino Unido, Holanda e Alemanha. No país, quem recebe e contabiliza esses registros é a SaferNet, entidade que desde 2006 atua em parceria com o Ministério Público Federal.
O que é adultização infantil?
A adultização infantil é a exposição de crianças e adolescentes a responsabilidades, comportamentos e conteúdos inapropriados para a idade, típicos do universo adulto. Esse processo resulta na perda de momentos essenciais da infância, como o brincar e a exploração saudável do mundo, substituídos por pressões e exigências sociais.
Como a internet influencia esse processo?
A exposição precoce e excessiva às redes sociais faz com que crianças pulem etapas importantes do desenvolvimento, assumindo preocupações que não correspondem à sua idade — como a busca por curtidas, comentários e seguidores.
Pesquisas apontam que a constante exposição digital ativa o circuito de recompensa do cérebro, liberando dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e bem-estar. Esse mecanismo pode gerar dependência e levar crianças e adolescentes a uma exposição cada vez mais intensa.
É importante lembrar que o córtex pré-frontal — área do cérebro responsável por decisões racionais e controle de impulsos — só atinge a maturidade plena entre os 20 e 25 anos. Isso explica por que adolescentes e jovens ainda tendem a agir de forma mais impulsiva e menos crítica diante dos riscos online.
De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil, realizada pelo Cetic.br, 93% dos brasileiros entre 9 e 16 anos — cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes — já utilizam a internet. Entre eles, mais de 20% acessaram a rede antes dos 6 anos de idade.
Quais são os prejuízos da adultização infantil?
Entre os principais impactos estão:
- Ansiedade e estresse;
- Baixa autoestima;
- Dificuldades de socialização;
- Problemas comportamentais;
- Perda do direito à infância.
Como identificar casos de adultização infantil?
Alguns sinais de alerta incluem:
- Comportamentos tipicamente adultos;
- Linguajar inapropriado para a idade;
- Agressividade excessiva;
- Dificuldade de se relacionar com crianças da mesma faixa etária;
- Isolamento social.
Como evitar esse processo?
A principal medida é controlar o tempo de tela:
- 0 a 2 anos: não é recomendado o uso de telas;
- 2 a 6 anos: até 1 hora por dia;
- A partir dos 6 anos: no máximo 2 horas por dia.
Além disso, pais e responsáveis devem evitar expor os filhos em redes sociais. Quanto maior a visibilidade online, maior o risco de que imagens e informações pessoais sejam utilizadas de forma indevida.
Como denunciar casos de adultização e exploração infantil?
Em situações de suspeita ou confirmação de violação dos direitos de crianças e adolescentes, os canais de denúncia são:
- Conselho Tutelar da sua região;
- DPCA – Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente;
- Disque 125 – Coordenação de Denúncias de Violação de Direitos da Criança e do Adolescente (Cisdeca), da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus/DF);
- Disque 100 – Disque Direitos Humanos, canal nacional de denúncias e informações sobre violações de direitos.
Hevelyn Rodrigues
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