O Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, sedia nesta terça-feira (13) o terceiro julgamento relacionado ao assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, amplamente conhecida como Mãe Bernadete. O crime, que chocou o país, ocorreu em 17 de agosto de 2023, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, localizada no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Acusação contra Josevan Dionísio dos Santos
Nesta etapa do processo, o réu Josevan Dionísio dos Santos, identificado pelos apelidos de BZ ou Buzuim, senta no banco dos réus. Ele é apontado pelo Ministério Público como um dos executores diretos do homicídio da ativista, que na época tinha 72 anos.
A denúncia formalizada contra Josevan inclui a qualificadora de homicídio cometido mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O julgamento em Salvador ocorre após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinar o desaforamento do caso, transferindo a competência da comarca de origem para a capital baiana, decisão que foi consolidada em maio de 2026.
Histórico do processo e condenações anteriores
O Poder Judiciário já proferiu sentenças contra outros dois envolvidos no crime. Em abril de 2026, o Tribunal do Júri da Comarca de Salvador condenou Arielson da Conceição dos Santos a uma pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão. Na mesma sessão, Marílio dos Santos foi condenado a 29 anos e 9 meses de prisão, vindo a falecer dois dias após o término do julgamento.
Desdobramentos e próximos passos judiciais
O caso, que envolve um total de cinco acusados, segue com etapas pendentes para garantir a responsabilização de todos os envolvidos. O julgamento de Sérgio Ferreira de Jesus já possui data agendada para o dia 21 de outubro de 2026, mantendo o rito no Fórum Ruy Barbosa.
Quanto ao réu Ydney Carlos Santos de Jesus, o processo ainda aguarda o trânsito em julgado, não havendo, até o momento, uma data definida para o seu comparecimento ao júri popular. A investigação aponta que o assassinato de Mãe Bernadete teria sido motivado por sua atuação incisiva na defesa do território quilombola e pelo enfrentamento ao tráfico de drogas local, o que contrariava os interesses de organizações criminosas da região.
Fonte: bahianoticias.com.br
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