O executivo da Reag, Silvano Gersztel, atuou como representante de um fundo da gestora financeira na aquisição de uma parte da participação dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no resort Tayayá, localizado no Paraná. Ele é alvo de investigações por suposta lavagem de dinheiro relacionada a empresários do setor de combustíveis, que têm ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Gersztel não foi encontrado para comentar a situação. A Reag, o ministro Dias Toffoli e seus irmãos, José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, também não se manifestaram sobre o caso. O executivo foi sócio e ocupou cargos de direção na Reag por nove anos, mas renunciou às funções de diretor-presidente (CEO) e diretor financeiro (CFO) de uma administradora de fundos da empresa no início de janeiro. Sua saída ocorreu durante uma reestruturação da Reag, que foi adquirida pela Planner.
Ele era considerado o número dois de João Carlos Mansur, fundador da Reag, durante um período em que a empresa gerenciava mais de R$ 340 bilhões. Ambos foram investigados pela Polícia Federal e deixaram a empresa em meio a essas apurações. Gersztel é investigado por sua atuação em fundos que envolvem clientes em situações complicadas e por sua participação na transação do resort da família do ministro.
De acordo com informações do jornal O Estado de São Paulo, o pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, é cotista dos fundos de investimentos Leal e Arleen, que são administrados pela Reag. Esses fundos foram utilizados para investir R$ 20 milhões no resort. O fundo Arleen se tornou formalmente sócio das empresas familiares que controlam o Tayayá.
Documentos da Junta Comercial do Paraná indicam que Gersztel foi o representante do fundo Arleen na sociedade com as empresas dos irmãos e um primo do ministro. Em setembro de 2021, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões dos irmãos Toffoli. O fundo e a família Toffoli permaneceram como sócios até 2025. Entre fevereiro e julho, os irmãos e o primo do ministro, juntamente com o fundo de investimentos, se retiraram da sociedade, vendendo suas participações ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que agora é o único sócio do empreendimento.
Silvano Gersztel foi alvo de buscas e apreensões na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025. A operação investiga o uso de fundos da Reag Investimentos para lavagem de dinheiro por controladores das distribuidoras de combustíveis Copape e Aster, que são suspeitos de ligação com o PCC. A gestora nega qualquer conexão com atividades ilícitas da facção criminosa.
As investigações apontam que os proprietários das empresas, Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Huissein Murad, estão foragidos e são considerados sonegadores bilionários. Os fundos da Reag teriam sido utilizados por eles para adquirir usinas, postos de gasolina e imóveis de alto valor, com o objetivo de evitar a arrecadação de impostos pela Receita Federal e ocultar a verdadeira propriedade desses bens.
Os investigadores têm Gersztel sob suspeita devido à sua representação nos fundos durante essas transações, incluindo a compra da Usina Itajobi, produtora de etanol em Marapoama, São Paulo. O Ministério Público afirma que Beto Louco e Mohamad usavam o fundo para não serem identificados como os verdadeiros proprietários da usina. Segundo o MP, a aquisição das usinas sucroalcooleiras foi facilitada por meio de fundos de investimento, e executivos da Reag, como Gersztel, atuaram em conjunto com as dinâmicas fraudulentas da organização criminosa.
Após a Operação Carbono Oculto, a Reag passou a ser investigada por abrigar fundos relacionados a fraudes bilionárias do Banco Master. Essas investigações estão sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, e o banqueiro Daniel Vorcaro, junto com seu cunhado, Fabiano Zettel, foi preso e posteriormente liberado.
Embora Gersztel não seja alvo da Operação Compliance Zero, que também está sob a relatoria de Toffoli, ele é mais um nome da cúpula da Reag Investimentos sob investigação da Polícia Federal, com vínculos ao empreendimento da família do ministro. Apesar de não ser investigado, Daniel Vorcaro expressou preocupação com a Operação Carbono Oculto e solicitou à Justiça Estadual de São Paulo que o caso fosse enviado ao STF, para que ficasse sob a responsabilidade de Toffoli.
Revelações do Estadão sobre a relação de familiares de Toffoli com fundos da Reag e personagens do caso Master geraram questionamentos sobre a imparcialidade do ministro. Senadores e deputados federais sugeriram que ele deveria se declarar impedido ou suspeito para relatar o inquérito. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve avaliar a possibilidade de analisar a suspeição de Toffoli na condução do inquérito do Master apenas se for provocada. Até o momento, a PGR não recebeu representação formal nesse sentido.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não possui conhecimento sobre os negócios dos fundos mencionados e que nunca foi cotista ou participou de sua gestão. A defesa reiterou que não tem informações ou envolvimento em negócios relacionados ao resort ou outros investimentos realizados por esses veículos, e que continua colaborando com as autoridades. Procurados, Dias Toffoli e seus irmãos não se manifestaram, assim como Silvano Gersztel e a Reag.
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