O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que o órgão manteve o mesmo padrão de transparência em suas operações ao divulgar fotos do dinheiro apreendido nas residências do senador Jaques Wagner (PT-BA). A ação está relacionada a investigações sobre o Banco Master.
Em entrevista à Folha, Wagner criticou a divulgação das imagens das cédulas. Ele questionou a necessidade de expor o dinheiro em cima da cama com o escudo da PF, comparando a situação a práticas da Lava Jato. O senador sugeriu que, se a Polícia Federal continuar com esse tipo de abordagem, o chefe da instituição deve tomar providências.
Durante um café da manhã com jornalistas, Andrei Rodrigues destacou que a operação envolvendo um líder do governo Lula (PT) reafirma a autonomia e independência da Polícia Federal. Ele ressaltou que o órgão segue um padrão de comunicação e transparência em todas as suas ações.
Rodrigues mencionou que a Polícia Federal já implementou medidas para evitar a espetacularização de operações, especialmente após a Lava Jato. Essas medidas incluem o cancelamento de entrevistas coletivas e a decisão de não exibir pessoas algemadas. No entanto, ele afirmou que a divulgação de imagens das apreensões continuará.
O diretor-geral garantiu que não há seletividade nas divulgações e fez referência, sem citar nomes, a reclamações do líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, que também se manifestou sobre a divulgação de imagens de R$ 460 mil apreendidos em sua residência em Brasília.
Em 18 de junho, a Polícia Federal realizou apreensões nos endereços de Wagner para investigar se ele recebeu pagamentos relacionados ao Banco Master, por meio da empresa de sua nora, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. A investigação teve início a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que também foi alvo de novas buscas.
Wagner defendeu a legalidade da origem do dinheiro, que totaliza aproximadamente US$ 55 mil. Ele explicou que, em algumas ocasiões, comprou dólares no Banco do Brasil ao viajar. O senador também mencionou que, ao viajar a trabalho pelo Senado, recebe diárias que podem ser pagas em depósito ou em dólares. Ele prefere solicitar o pagamento em dólares como forma de economizar e guardar o dinheiro.
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