O senador Ciro Nogueira (PP-PI) não obteve a reeleição e deixará o Senado Federal após 16 anos de atuação contínua na política nacional. Com 99,12% das urnas apuradas no Piauí, o presidente do PP alcançou a terceira posição no pleito, registrando 24,67% dos votos válidos. O resultado marca uma mudança significativa na representação do estado na Câmara Alta.
As duas vagas em disputa foram conquistadas por Marcelo Castro (MDB), reeleito com 35,63% dos votos, e por Júlio César (PSD), que obteve 26,96%. A derrota de Ciro Nogueira interrompe uma trajetória de quatro legislaturas, período em que consolidou influência no cenário político brasileiro, incluindo sua passagem pela chefia da Casa Civil entre 2021 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Trajetória política e reconhecimento do resultado
A carreira parlamentar de Ciro Nogueira teve início no Senado em 2010, sendo reeleito em 2018. Antes de sua atuação na câmara alta, o político cumpriu quatro mandatos como deputado federal. Após a confirmação da apuração, o senador utilizou suas redes sociais para se manifestar, reconhecendo o veredito das urnas e declarando que o povo é soberano em suas escolhas democráticas.
Investigações sobre o Banco Master e a Operação Compliance Zero
O período eleitoral para o senador foi acompanhado por desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Em maio, Ciro Nogueira foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal aponta o parlamentar como suposto destinatário central de vantagens indevidas.
Conforme os autos da investigação, os pagamentos teriam variado entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais. Além dos valores em espécie, a apuração cita o custeio de despesas com viagens internacionais, hospedagens de luxo e o uso de um cartão de crédito vinculado a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A defesa do senador nega veementemente qualquer irregularidade e sustenta que ele não participou de atos ilícitos.
Proposta legislativa sob escrutínio da Polícia Federal
Um dos pontos centrais da investigação refere-se a uma proposta apresentada por Ciro Nogueira em 2024, que visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Documentos obtidos pela Polícia Federal sugerem que o texto teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master e entregue na residência do parlamentar.
Mensagens interceptadas pelos investigadores indicam que Daniel Vorcaro teria celebrado a apresentação da matéria legislativa com a frase: “Saiu exatamente como mandei”. Com o encerramento da contagem de votos, o cenário político piauiense se reconfigura, retirando Ciro Nogueira da esfera parlamentar a partir da próxima legislatura.
Fonte: gazetabrasil.com.br
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