Derly Lopes Santana, de 60 anos, faleceu na madrugada deste sábado (10) no Hospital Regional Português, localizado em Conceição do Coité. O paciente estava internado na unidade desde o dia 30 de julho e, embora tenha recebido alta médica ainda em agosto, permaneceu no hospital devido à ausência de familiares que se dispusessem a buscá-lo ou assumir seus cuidados.
Segundo informações prestadas pela assistente jurídica Rafaela Pereira de Almeida, Derly sofria de etilismo crônico e apresentava sintomas severos de abstinência de álcool e outras substâncias, além de complicações físicas como úlceras. A causa oficial do óbito não foi divulgada pela instituição. Na manhã do falecimento, um parente compareceu à secretaria do hospital apenas para assinar a liberação do corpo, sendo o translado realizado posteriormente por uma funerária sem o acompanhamento de familiares.
Histórico de violência e trauma familiar
A permanência prolongada de Derly no hospital trouxe à tona acusações graves feitas por suas duas filhas, identificadas pelas iniciais N. P. L., de 39 anos, e D. P. L., de 36 anos. Segundo relatos, ambas teriam sido vítimas de abusos sexuais e agressões físicas praticadas pelo pai durante a infância, enquanto a mãe, Filomena da Silva Pereira, trabalhava fora para sustentar a casa.
A advogada Rafaela Pereira de Almeida, que representa as irmãs, afirmou que as mulheres não possuíam condições psicológicas ou financeiras para acolher o pai. De acordo com a representante, uma decisão liminar teria dispensado as filhas da responsabilidade pelos cuidados com Derly, embora os detalhes jurídicos não tenham sido confirmados pela reportagem. As vítimas teriam revelado os episódios de violência apenas em 2016, já na vida adulta, após anos de silêncio sob ameaças.
Desafios na assistência e tentativa de suporte
Durante o período de internação, tentativas de organizar o suporte ao paciente enfrentaram obstáculos significativos. Rafaela relatou ter iniciado uma campanha de arrecadação via Pix para contratar uma cuidadora, que atuou por cerca de 16 dias. O acompanhamento foi interrompido após relatos de comportamento inadequado do paciente, que teria se masturbado mencionando o nome das filhas na presença da profissional.
Após a saída da cuidadora, o paciente permaneceu sem acompanhante por um período prolongado. A situação foi acompanhada por órgãos como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a Defensoria Pública e o Ministério Público de Conceição do Coité. O caso também foi registrado em boletim de ocorrência na delegacia local, onde as filhas formalizaram os relatos de abuso.
Contexto familiar e desamparo institucional
Além das filhas, a advogada mencionou que Derly possuía quatro irmãos, sendo que um deles cumpre pena na Penitenciária de Serrinha por crime de abuso sexual contra uma enteada. Os demais irmãos não se prontificaram a assumir a assistência ao paciente. Até o momento, não há informações sobre o local de velório ou sepultamento de Derly Lopes Santana.
Para mais informações sobre o caso e o acompanhamento de órgãos competentes, consulte o portal Calila Notícias, que tem realizado a cobertura detalhada desta ocorrência.
Fonte: calilanoticias.com
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