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Colômbia decide entre direita e esquerda em eleição marcada por violência e polarização

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Colômbia decide entre direita e esquerda em eleição marcada por violência e polarização

Neste domingo (31), a Colômbia realiza o primeiro turno de eleições presidenciais marcadas por polarização e violência, com mais de 41 milhões de eleitores aptos a votar. A disputa envolve três projetos de país distintos, enquanto a violência política, que parecia superada após o acordo de paz com as Farc, volta a ser uma preocupação.

A campanha para suceder Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país, que não pode concorrer à reeleição, se concentra em três candidatos principais. Iván Cepeda, do Pacto Histórico, é visto como o favorito. Sua trajetória é marcada pela defesa dos direitos humanos e pela participação em negociações com grupos armados. O assassinato de seu pai, Manuel Cepeda Vargas, por agentes do Estado na década de 1990, influenciou sua vocação política. Cepeda é um dos principais opositores do uribismo e defensor da política de "Paz Total", que busca negociar com diversos grupos armados. Sua vice é a líder indígena Aida Quilcué.

Abelardo de la Espriella, advogado e admirador de líderes como Donald Trump e Javier Milei, emergiu como um outsider ultradireitista e rival da esquerda. Sua popularidade cresceu rapidamente, passando de 1,1% em março de 2025 para mais de 30% nas pesquisas atuais. Ele se apresenta como um defensor de uma abordagem rigorosa contra o crime e critica a "velha política", apesar de sua carreira como advogado de figuras controversas.

Paloma Valencia, senadora do Centro Democrático, representa a direita tradicional e é uma fiel seguidora de Álvaro Uribe. Ela se opôs ao acordo de paz de 2016 e defende uma postura militar rigorosa contra as guerrilhas, sem abertura para diálogos. Em caso de vitória, indicou que convidaria Uribe para o Ministério da Defesa.

As eleições ocorrem em um contexto de segurança deteriorada, com analistas descrevendo a situação como um "fracasso total" da política de "Paz Total". O fortalecimento de grupos armados ilegais, como dissidências das Farc e o ELN, resultou em um aumento significativo das consequências humanitárias do conflito. Os candidatos realizam comícios sob proteção, e todos relataram ameaças de morte. A morte do pré-candidato Miguel Uribe em agosto de 2025, durante um comício, acendeu um alerta sobre a violência na campanha, que se intensificou com o assassinato de militantes de De la Espriella na semana passada.

As pesquisas indicam uma disputa acirrada. O levantamento da Invamer mostra Cepeda liderando com 44,6%, seguido por De la Espriella com 31,6% e Valencia com 14%. Outros institutos apresentam resultados variados, mas a AtlasIntel aponta uma diferença técnica entre Cepeda e De la Espriella. Apesar da liderança de Cepeda, os mercados de previsão consideram De la Espriella o favorito para vencer a eleição, com 59% de chance de sucesso.

A Colômbia, com sua posição estratégica na América do Sul, pode ver uma mudança significativa dependendo do resultado. A vitória de Cepeda poderia consolidar um alinhamento regional com o Brasil e manter uma postura autônoma em relação aos Estados Unidos. Por outro lado, a eleição de De la Espriella ou Valencia representaria uma guinada à direita, com um retorno a laços mais estreitos com Washington e uma abordagem mais dura contra o crime. As urnas estarão abertas das 8h às 18h (horário local), e as pesquisas de boca de urna devem ser divulgadas ao final da tarde. Se nenhum candidato alcançar 50% dos votos, um segundo turno será realizado em 21 de junho.


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