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Comando Vermelho expande domínio no Rio e avança para Norte e Nordeste

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Comando Vermelho expande domínio no Rio e avança para Norte e Nordeste

A decisão do governo americano de classificar o Comando Vermelho (CV) como uma organização terrorista ocorre em um momento em que a facção fluminense tem ampliado sua atuação em todo o Brasil. Essa expansão tem gerado um aumento nas disputas entre grupos criminosos, tanto no Rio de Janeiro quanto em outras regiões, especialmente no Norte e Nordeste do país. As informações são provenientes de investigações policiais e estudos realizados por institutos de segurança pública.

Um estudo do Instituto Fogo Cruzado, em parceria com o GENI-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense), revela que o CV foi o grupo armado que mais ampliou sua influência na região metropolitana do Rio nos últimos anos. O levantamento indica que a facção avançou principalmente sobre áreas anteriormente dominadas por milícias e grupos rivais.

Os pesquisadores também destacam os efeitos da violência armada na vida cotidiana da população, como o fechamento de escolas, a interrupção de linhas de transporte público e o aumento da sensação de insegurança. A expansão do Comando Vermelho também se intensificou na Amazônia Legal. Relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o grupo tem ampliado sua atuação em cidades estratégicas da região, impulsionado pelas rotas internacionais de tráfico de cocaína provenientes da Colômbia e do Peru.

Além do tráfico de drogas, as investigações revelam a atuação criminosa do CV em garimpos ilegais, exploração de madeira e controle de rotas fluviais. No Nordeste, a expansão do Comando Vermelho ocorre principalmente pela incorporação de grupos regionais e pela formação de alianças locais. O sociólogo Luiz Fábio Paiva, professor da Universidade Federal do Ceará, observa que o modelo de expansão do CV é diferente do adotado pelo PCC, que também será classificado como terrorista pelo governo americano. Ele explica que o PCC se expandiu mantendo um controle centralizado, enquanto o Comando Vermelho cresceu por meio de suas ideias e pela capacidade de incorporar grupos locais.

No Ceará, o avanço do Comando Vermelho ocorreu em áreas antes dominadas pela facção local GDE (Guardiões do Estado). Essa disputa resultou em um aumento da violência, expulsão de famílias, extorsão de comerciantes e controle de serviços em bairros periféricos da Grande Fortaleza. O Rio Grande do Norte também se tornou um campo de disputa entre facções. Após romper a aliança com o Sindicato do Crime, o Comando Vermelho passou a disputar diretamente áreas sob domínio da facção potiguar. A Polícia Civil do estado informa que os confrontos começaram na Grande Natal e se espalharam para municípios do oeste potiguar, como Tibau, Grossos, Baraúna e Mossoró.

Na semana passada, dez suspeitos, apontados como integrantes de um núcleo de homicídios ligado ao Sindicato do Crime, foram presos durante uma operação que investigava assassinatos relacionados à guerra entre facções. O delegado Alex Wagner, diretor da Divisão de Polícia Civil do Oeste, afirmou que a decisão do Comando Vermelho de estabelecer território no Rio Grande do Norte e romper a aliança com o Sindicato marca o auge dessa disputa.

Em Alagoas, investigações da Secretaria de Segurança Pública indicam que lideranças do Comando Vermelho, localizadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, continuam a exercer influência sobre áreas dominadas pela facção na Rota dos Milagres, no litoral norte do estado. A polícia atribui ao grupo parte dos desaparecimentos registrados na região e aponta que chefes da facção no Rio de Janeiro tomavam decisões relacionadas ao chamado "tribunal do crime".

O Comando Vermelho mantém controle sobre diversas áreas do Rio, com um histórico de confrontos com outros grupos e forças de segurança. Recentes episódios de violência atribuídos ao grupo ilustram essa situação. Na quinta-feira (28), um policial militar foi morto e outros três ficaram feridos, sendo dois deles na cabeça, durante uma ação na comunidade da Covanca, sob domínio do Comando Vermelho, na zona oeste do Rio. Os feridos estão em estado grave. Na semana anterior, policiais encontraram dois corpos em uma área de mata no morro da Babilônia, em Copacabana, na zona sul do Rio, com moradores relatando que as mortes estariam ligadas a conflitos entre facções criminosas.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro declarou que atua de forma permanente e integrada no combate às facções criminosas, com foco na prisão de lideranças, repressão ao narcotráfico e enfraquecimento das estruturas financeiras das organizações. A Operação Contenção é uma das principais ações do governo estadual para conter o avanço territorial do Comando Vermelho. Essa estratégia envolve ações de inteligência, investigação e integração operacional para desarticular a estrutura da facção. Uma das fases da operação no Complexo da Penha resultou em 122 mortes.

Nesta sexta-feira (29), a Delegacia de Repressão a Entorpecentes realizou mais uma fase da operação, voltada para o núcleo financeiro do grupo criminoso. Essa ação resultou na prisão de 24 pessoas e revelou um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 453 milhões. A Polícia Civil informa que o objetivo da Operação Contenção é atingir toda a cadeia de sustentação do crime organizado, incluindo operadores financeiros, responsáveis pela logística e fornecedores ligados à facção. Desde o início da operação, em março de 2025, mais de 345 suspeitos de envolvimento com o tráfico foram presos e 137 morreram em confrontos com as forças de segurança. As ações também resultaram na apreensão de 477 armas de fogo, incluindo 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições.


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