O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela coordenação da campanha de reeleição de Lula em São Paulo, criticou a nota divulgada nesta quinta-feira (16) pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Carvalho considerou a declaração sobre a nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros como "vergonhosa e estarrecedora".
Na nota, Skaf atribuiu a responsabilidade pela medida ao governo Lula, afirmando que a sobretaxa poderia ter sido evitada com uma "condução técnica e pragmática" nas negociações. Ele também destacou que, em um momento de sensibilidade econômica mundial, a escolha do governo brasileiro por "ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington" prejudicou relações construídas ao longo de 200 anos de cooperação bilateral.
Carvalho respondeu, afirmando que a fala de Skaf representa um "tapa na cara do empresariado brasileiro", que, segundo ele, é a verdadeira vítima dos boicotes promovidos pelo bolsonarismo. O advogado expressou preocupação com a "instrumentalização política e eleitoral" de uma entidade nacional como a Fiesp, especialmente em um momento desafiador, e defendeu a necessidade de união e conciliação.
A reação de Carvalho está alinhada com a posição do governo Lula, que emitiu uma nota afirmando que o novo tarifaço é um "enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro". O governo classificou os envolvidos como "falsos patriotas" que, movidos por objetivos eleitorais, arquitetaram ações contra o Brasil.
Carvalho também destacou que, no Brasil, não há outra liderança além de Lula capaz de conter os ataques injustos à soberania e à indústria nacional. Após a decisão dos EUA, Skaf lamentou a nova sobretaxa, expressando "profunda preocupação" e ressaltando que a medida é "especialmente prejudicial" por ser unilateral, o que reduz a competitividade do Brasil em relação a concorrentes globais.
Skaf, que é crítico do governo Lula, enfatizou que o mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Ele alertou que o novo "pedágio" imposto às exportações se soma aos desafios enfrentados pelas empresas, que já lidam com alta carga tributária e taxas de juros reais elevadas.
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