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Daniel Vorcaro revela por que fazia repasses milionários a políticos

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Primo de Daniel Vorcaro é preso suspeito de esconder provas de fraudes do Master

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou a seus advogados que os pagamentos feitos a políticos foram motivados por relações de amizade, sem qualquer exigência de contrapartida. Essa afirmação ocorreu após a rejeição de sua primeira proposta de delação premiada, que foi apresentada há duas semanas. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A Polícia Federal concluiu, em maio, que Vorcaro realizava pagamentos mensais de pelo menos R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira. Além disso, ele teria repassado US$ 10,6 milhões, equivalente a cerca de R$ 61 milhões, ao senador Flávio Bolsonaro, com o objetivo de financiar a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A primeira proposta de delação de Vorcaro foi recebida pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no início de maio, mas as negociações foram encerradas pela PF, enquanto a PGR devolveu o documento solicitando complementações. Até aquele momento, a estratégia do advogado de Vorcaro, José Luis de Oliveira Lima, conhecido como Juca, era ganhar tempo para tentar reverter o processo nos meses ou anos seguintes, buscando identificar falhas na investigação que pudessem resultar em nulidades processuais a favor do empresário.

Após a rejeição da proposta inicial, Oliveira Lima deixou a defesa de Vorcaro, que agora trabalha em uma nova versão da delação com o advogado criminalista Sérgio Leonardo, que faz parte de sua equipe desde o início das investigações. A nova abordagem busca incluir fatos adicionais na proposta de colaboração.

As investigações sobre as supostas fraudes envolvendo o Banco Master fazem parte da Operação Compliance Zero, que foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. Na fase inicial da operação, os principais executivos da instituição, que foi liquidada pelo Banco Central, foram presos preventivamente. No mesmo mês, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou a substituição das prisões pelo uso de tornozeleiras eletrônicas, permitindo que os investigados respondessem ao processo em liberdade.

O caso foi transferido para o Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2025, inicialmente sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, que autorizou a segunda fase da operação em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em fevereiro. O processo passou então para o ministro André Mendonça. Daniel Vorcaro foi preso novamente no início de março e permanece detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Sua proposta de delação premiada ainda aguarda análise do STF, um processo que pode levar semanas.


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