Cientistas de Singapura desenvolveram um traje de mergulho em 3D para baratas de Madagascar, com o objetivo de auxiliar em operações de resgate após desastres como enchentes e terremotos. O estudo, publicado na revista Nature Communications, explora a resistência natural desses insetos para acessar locais onde equipamentos tradicionais não conseguem chegar. O traje permite que as baratas respirem debaixo d'água por até três horas, sendo preso ao corpo do inseto e composto por uma cápsula leve, transparente e flexível, além de um sistema químico que gera oxigênio.
O oxigênio é produzido por uma reação química e transportado por microtubos até os espiráculos, que são as aberturas respiratórias das baratas. A espécie utilizada no experimento é a Gromphadorhina portentosa, que pode medir mais de 7 centímetros, não possui asas, não transmite doenças e emite um som característico ao se mover. Essas características tornam a barata um candidato interessante para testes em ambientes hostis, onde pode ser equipada com sensores para transmitir dados enquanto se desloca por áreas devastadas.
Além do traje de mergulho, os pesquisadores estão desenvolvendo versões ciborgues, nas quais as baratas carregam uma pequena estrutura nas costas com uma câmera infravermelha e sensores para detectar sinais de vida. Em 2025, essa tecnologia foi testada na Operação Lionheart, após um terremoto em Mianmar, e os pesquisadores observaram que os insetos conseguiram operar por longos períodos e se reabastecer no ambiente.
O sistema que gera oxigênio sem a necessidade de baterias permite que os insetos atuem em locais de difícil acesso, onde drones e humanos não conseguem chegar. Os pesquisadores também vislumbram a possibilidade de aplicar essa tecnologia em missões espaciais no futuro, como a exploração da superfície de Marte. Hirotaka Sato, professor da Nanyang Technological University, destacou que a pesquisa, ainda em fase experimental, combina biologia e engenharia de maneira inovadora, levantando questões sobre o potencial dessa combinação.
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