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Delegacia de Ibotirama opera há 13 anos em condições degradantes, aponta MP da Bahia

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Delegacia de Ibotirama opera há 13 anos em condições degradantes, aponta MP da Bahia

Um inquérito civil que está em andamento há mais de 13 anos na 2ª Promotoria de Justiça de Ibotirama, na Bahia, revelou a grave precariedade da Delegacia de Polícia Civil do município, que opera 24 horas por dia, atendendo a cidade e áreas vizinhas. Em uma visita técnica realizada em abril de 2026, a promotora Tahiane Stochero constatou as condições alarmantes da unidade, que, segundo o Ministério Público, se deteriora a cada ano.

O inquérito foi iniciado em 2013 e busca responsabilizar o governo estadual pela degradação da estrutura da delegacia. Documentos obtidos pelo Bahia Notícias mostram imagens que evidenciam rachaduras, pintura descascada, infiltrações, portas danificadas, fios expostos, mofo e perfurações no teto. Além disso, a unidade carece de condições básicas de higiene e segurança, apresentando riscos de incêndio, falta de iluminação e espaço inadequado para a guarda de materiais apreendidos, além da ausência de banheiros e colchões para os detentos.

A situação da carceragem é descrita como especialmente desumana, com a falta de água potável e alimentação para os presos. O delegado e os funcionários têm que arcar com as despesas de alimentação e limpeza, evidenciando a falta de repasses financeiros para a manutenção da unidade. Em várias ocasiões, detentos em flagrante foram devolvidos às suas cidades de origem devido à incapacidade da delegacia de mantê-los, gerando custos adicionais para o Estado com o transporte.

O relatório também menciona registros de fuga e tentativas de fuga, com detentos escavando um buraco que levava ao quarto onde os servidores dormem, colocando em risco a segurança dos policiais civis. O Ministério Público descreve as condições de trabalho na delegacia como tão degradantes que os agentes são considerados "verdadeiros heróis" por conseguirem realizar suas funções em um ambiente que desrespeita a dignidade humana.

O documento aponta a falta de equipamentos essenciais, como computadores, impressoras, coletes balísticos e algemas, comprometendo a segurança dos profissionais e a capacidade investigativa da polícia. As vítimas de crimes que buscam atendimento na unidade também têm seus direitos violados devido à omissão do Estado em resolver problemas básicos, o que atrasa a apuração de delitos e prejudica a resposta à criminalidade na região.

Diante da gravidade da situação, a promotora Tahiane Stochero prorrogou o inquérito civil por mais um ano em 22 de maio de 2026 e enviou uma recomendação ao Secretário de Segurança Pública da Bahia e ao Delegado-Geral da Polícia Civil. Os órgãos foram notificados para apresentar, em até 30 dias, explicações formais sobre a situação da delegacia e um plano detalhado para a construção de uma nova sede.

A recomendação também exige ações imediatas, como a disponibilização de verba para alimentação dos presos, adequação das carceragens para separar homens, mulheres e adolescentes, manutenção das atividades da unidade com padrões adequados de segurança e higiene, e instalação de computadores para registro de boletins de ocorrência. O Ministério Público alertou que o descumprimento das recomendações pode resultar em crimes de desobediência e responsabilização administrativa, cível e por improbidade.

Além disso, a promotoria indicou que a falta de manutenção pode levar à propositura de uma ação civil pública para a interdição total ou parcial da delegacia, o que deixaria a cidade e a região sem atendimento policial presencial.


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