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Demora na escolha de vice expõe fragilidade na coordenação política de Jerônimo, por Raul Monteiro*

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Demora na escolha de vice expõe fragilidade na coordenação política de Jerônimo, por  Raul Monteiro*

Para quem detém o poder, a demora na escolha dos membros de uma chapa é mais desgastante do que para a oposição. Por isso, a situação do governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato natural à reeleição, é preocupante, já que ele ainda não conseguiu definir seu principal companheiro de campanha. Quando uma vaga de vice é oferecida a várias pessoas e todas declinam, isso indica, no mínimo, uma falta de confiança na viabilidade eleitoral da liderança. A escolha do novo vice não foi inicialmente considerada um problema de campanha para o governador, o que revela a falta de planejamento da sua coordenação política.

Desde que o senador Jaques Wagner (PT) anunciou sua candidatura à reeleição, a chapa precisou incluir três petistas entre as quatro vagas disponíveis. A prudência sugeria que a escolha do vice se tornasse um tema prioritário nas articulações políticas do governo. Uma composição predominantemente petista exigiria um complemento significativo no único espaço restante para representar a diversidade do grupo. Desde o início, era evidente que o atual vice-governador, Geraldo Jr. (MDB), não seria a escolha, devido à sua irrelevância política e eleitoral, embora ele pudesse ter permanecido no cargo por inércia.

Se não fosse pela crise gerada após Geraldo Jr. ser flagrado em um grupo de WhatsApp tramando contra o ministro Rui Costa (Casa Civil), candidato ao Senado e figura importante da chapa, ele poderia ter sido mantido no cargo para evitar o trabalho de substituição. Contudo, após o veto de Rui à permanência do vice, o governador tem a oportunidade de reformular a chapa, mas essa tarefa parece estar se mostrando difícil.

Entre os três nomes mais destacados para substituir Geraldo Jr., um já se manifestou contra a indicação, outro hesita, pois prefere a suplência de Rui, e um terceiro, dividido entre o governo e a chapa de ACM Neto (União), está prestes a se aliar ao adversário. A presidente da Assembleia, deputada Ivana Bastos (PSD), acredita que o caminho mais seguro é tentar a reeleição, um projeto que, se bem-sucedido, pode garantir sua continuidade à frente da Casa Legislativa.

O presidente do Avante, Ronaldo Carletto, é considerado a aposta mais forte para a chapa, devido à sua influência política e financeira. Ele é o nome preferido de Rui, mas acredita que é mais vantajoso ocupar a primeira suplência do ministro ao Senado, certo de que será mantido em um eventual novo governo de Lula, do que concorrer à vice. Mesmo assim, Carletto continua sendo o nome mais provável para a posição. O terceiro candidato, Zé Cocá (PP), prefeito de Jequié, está prestes a se aliar a Neto, pois a coordenação política de Jerônimo teme que ele ganhe força e se torne um nome para a sucessão em 2030.

Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.


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