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Denúncia aponta coleta de dados vinculada a benefícios sociais e assinaturas falsificadas em processo da Rede em Ilhéus

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Denúncia aponta coleta de dados vinculada a benefícios sociais e assinaturas falsificadas em processo da Rede em Ilhéus

Uma denúncia de falsificação de assinaturas em documentos internos da Rede Sustentabilidade está gerando questionamentos sobre a regularidade de um processo partidário em Ilhéus, no sul da Bahia. Relatos indicam que as supostas vítimas tiveram seus dados coletados durante a oferta de benefícios sociais, como o Minha Casa Minha Vida, e cursos de capacitação. O caso está sendo analisado pela Justiça.

Áudios e documentos obtidos pelo Bahia Notícias mostram assinaturas de uma reunião da qual moradores afirmam não ter participado, alegando desconhecimento sobre a natureza política da convenção e que não foram informados sobre a relação com o partido. A reunião ocorreu em 3 de fevereiro de 2025, em um imóvel no bairro Nossa Senhora da Vitória, descrito por alguns como uma “igreja”. Segundo a ata de presença, 84 pessoas teriam participado do encontro, que definiu a escolha de delegados para a conferência estadual do partido.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de fevereiro de 2025 mostram que Ilhéus contava com 62 filiados, o que levanta a possibilidade de que pessoas de municípios vizinhos tenham participado da conferência. As dúvidas sobre a reunião foram apresentadas em uma ação na Justiça Federal, já que muitos nomes na lista de presença negam ter estado no local. O documento sugere que afiliados políticos assinaram a lista de presença de forma consciente em uma plenária, mas os moradores que aparecem na ata afirmam não ter comparecido.

Entre os relatos, Gabriela Santos, mãe de duas crianças no espectro autista, disse que se sentiu enganada ao acreditar que a reunião era sobre o programa Minha Casa Minha Vida. Apesar de seu nome estar na ata, ela afirmou que não foi informada sobre a utilização de seus dados para associação ao partido. Outros moradores também relataram não serem associados à Rede Sustentabilidade e afirmaram não ter assinado nenhuma ata de filiação partidária.

Pedro Borges, morador de Águas de Pontal, disse que não conhece o partido e acredita que seu nome foi incluído na lista sem autorização. Verônica Costa também declarou não conhecer a sigla e não ter informações sobre qualquer participação em reunião partidária. Os relatos indicam que convites para as reuniões eram frequentemente feitos com promessas relacionadas a programas sociais.

Patricia Santos mencionou ter participado de um encontro em 2024, acreditando que se tratava de uma reunião sobre moradia, enquanto Fernanda Santana afirmou ter fornecido dados pessoais para um cadastro de habitação. Karoline Sales disse que participou de uma reunião em uma igreja, mas não foi informada sobre qualquer vínculo partidário. Outros relatos apresentam contradições, como o de Edison Carvalho, que inicialmente afirmou ter participado, mas depois disse que não autorizou o uso de seu nome.

A ata da conferência de eleição do partido, datada em 3 de fevereiro de 2025, inclui a presença de Carlos Pitta, que faleceu em janeiro do mesmo ano, levantando mais suspeitas sobre a validade das assinaturas. O caso está sendo analisado pela Justiça, com julgamento previsto no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

A Rede Sustentabilidade foi procurada para comentar as denúncias. O Diretório Estadual da Bahia enviou uma nota reafirmando seu compromisso com a ética e a legalidade, afirmando que todas as conferências municipais seguiram rigorosamente as normas partidárias. A direção estadual se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos adicionais.


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