Apesar da confirmação da exclusão de Angelo Coronel (PSD) da chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para a reeleição, a articulação política do governo busca manter Coronel na base. Isso se dá por meio da oferta da vice ao deputado federal Diego Coronel, além do apoio para que o senador concorra à Câmara dos Deputados e para que Angelo, seu outro filho, assuma a presidência da Assembleia.
A estratégia para evitar que Coronel se junte à campanha de ACM Neto (União Brasil), que lidera as oposições e é o favorito nas pesquisas, não se limita a conversas. Cerca de 50 prefeitos ligados ao clã Coronel estão sendo monitorados para garantir que não deixem a base, caso o senador decida se aliar à chapa oposicionista.
A articulação do governo acredita que ACM Neto não conseguirá apoiar a reeleição dos dois filhos de Coronel. A intenção é fragilizar qualquer plano de afastamento do senador, mostrando que ele e seus herdeiros não levarão os prefeitos que atualmente os apoiam, o que poderia prejudicar suas campanhas e a reeleição de Diego e Angelo Filho.
Nos diálogos com aliados de Coronel, os governistas mencionam exemplos de desconfiança em relação aos prefeitos. Um caso citado é o do ex-presidente da Assembleia, Marcelo Nilo (Republicanos), que, ao romper com o PT, viu vários gestores municipais abandonarem seu apoio. A menção mais forte, no entanto, é ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, que acreditava ter o apoio dos prefeitos do MDB, mas acabou não obtendo sucesso em sua candidatura contra o então governador petista.
A equipe de comunicação do governador ficou satisfeita com a entrevista que Jerônimo concedeu ao radialista Mário Kertész. Eles acreditam que, pela primeira vez, ele seguiu as recomendações e se comportou de acordo com o script, demonstrando sua espontaneidade, uma característica que a campanha pretende explorar. A proximidade das eleições tem levado os políticos a se tornarem mais disciplinados.
A articulação do PSB baiano para atrair o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), perdeu força, pois Cocá deseja assumir o comando do partido no Estado. Ele estaria disposto a migrar, mas não quer ser apenas mais um membro. Sem um espaço de destaque, prefere permanecer no PP, mesmo com a sigla alinhada a ACM Neto, já que não planeja disputar a eleição de 2026, a menos que seja convidado para uma candidatura majoritária.
O prefeito de Andaraí e presidente da UPB, Wilson Cardoso (PSB), mantém diálogo com Zé Cocá e não desistiu da investida. A deputada federal Lídice de Mata, presidente do PSB na Bahia, resiste a qualquer cedência de controle da legenda. Nos bastidores, cresce a expectativa de que Cocá deve apoiar a reeleição de Jerônimo Rodrigues, impulsionado pelas obras do Estado em Jequié.
Para apaziguar a base na Assembleia, Jerônimo Rodrigues enviou um "mimo" de fim de ano aos deputados, com R$ 500 mil em emenda extra para cada parlamentar. O gesto ocorreu em meio a queixas sobre a falta de diálogo prévio na indicação do ex-deputado federal Josias Gomes ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a um movimento de "rebeldia" que tentou lançar o deputado estadual Luciano Araújo (Solidariedade) como candidato à vaga.
O deputado federal Capitão Alden (PL) expressou descontentamento com os prefeitos de Salvador, Bruno Reis (União), e de Feira, José Ronaldo (União), alegando que não honraram compromissos firmados nas eleições de 2024. Alden também critica ACM Neto, que, segundo ele, acredita que terá automaticamente o apoio de todo o PL apenas por estar ao lado de Roma, presidente da sigla na Bahia.
Jerônimo tem afirmado a aliados que não pretende afastar a deputada estadual Fabíola Mansur (PSB) da Assembleia com a saída de Angelo Almeida da secretaria de Desenvolvimento Econômico na reforma administrativa que planeja. Ele justifica essa decisão pelo fato de Fabíola ser uma amiga pessoal e uma das auxiliares mais leais no Legislativo.
Políticos que circulam entre ambos notaram que o post em que a família de Angelo Coronel apareceu unida cantando no Natal impactou o senador Otto Alencar. Não houve representantes da família Coronel na posse de Gildásio Penedo no TCE, supostamente para evitar um encontro com Otto Filho, cuja nomeação para o órgão prejudicou a reeleição do senador na chapa de Jerônimo.
Vereadores da base do prefeito reclamam do "sumiço" dos convites para o Festival da Virada, promovido pela Prefeitura de Salvador, que se tornou um evento importante para quem deseja se destacar. A parte ideológica da Comunicação de Jerônimo é eficaz, mas cometeu um erro ao divulgar nas redes sociais que ele tomou posse na presidência da Assembleia, quando na verdade foi na presidência do TCE. O erro foi atribuído a um estagiário, que corrigiu a informação rapidamente.
A posse de Carina Cangussu, respeitada nos meios jurídicos, como nova desembargadora eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), está cercada de expectativa, especialmente devido à demora na nomeação pelo ministro Rui Costa (Casa Civil). O presidente do TRE, desembargador Abelardo da Matta, é conhecido por sua organização e deve entregar o órgão ainda mais eficiente ao sucessor Maurício Kertezman.
Marcelo Nilo (Republicanos), bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto ao Senado, se tornou um importante aliado de ACM Neto na campanha estadual, utilizando sua postura destemida e sua habilidade de comunicação.
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