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Dólar abaixo de R$ 5 sugere momento favorável para compra, dizem analistas

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Dólar abaixo de R$ 5 sugere momento favorável para compra, dizem analistas

O dólar voltou a se aproximar do patamar de R$ 5 na semana passada, alcançando a cotação de R$ 4,997 na segunda-feira (13). Esse valor não era registrado desde 2024. A queda da moeda traz otimismo para aqueles que precisam de dólares para viagens ou diversificação de investimentos. Especialistas consultados pela Folha indicam que este é um bom momento para realizar compras.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, afirma que a atual situação representa uma oportunidade tática para formar preço médio ao longo do tempo. Ela atribui a queda do dólar ao otimismo em relação ao possível fim do conflito no Irã, embora o futuro da situação ainda seja incerto, o que pode gerar volatilidade nos mercados nos próximos dias. A formação de preço médio é uma estratégia que envolve a compra da moeda em parcelas, minimizando prejuízos caso o dólar volte a subir.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, observa que o real se beneficia da maior distância do Brasil em relação ao conflito geopolítico. Ele recomenda que investidores fracionem as aquisições de dólar e adotem uma perspectiva de longo prazo, tratando a moeda como uma forma de proteção. Praça sugere dividir a compra em pelo menos três momentos antes de uma viagem para formar um preço médio.

Zogbi complementa que a maioria dos brasileiros não possui exposição ao dólar. Manter uma parte da carteira em dólares é uma estratégia de proteção, pois, apesar da volatilidade no curto prazo, a moeda tende a se mostrar resiliente a choques e instabilidades, protegendo o capital do investidor. A exposição ao dólar pode ser feita por meio de ETFs, fundos cambiais ou contas internacionais.

Em relação aos impostos, dependendo do método escolhido para se expor ao dólar, a operação pode envolver a cobrança de IOF e IR, além do spread, que é a diferença entre o preço de compra e venda, cobrado pela instituição financeira. Nos fundos cambiais, também há taxas de administração.

Wanessa Guimarães, planejadora financeira da Planejar e sócia da gestora de patrimônio HCI Advisors, recomenda contas internacionais ou cartões pré-pagos para uso cotidiano, como em viagens, pois oferecem taxas mais baixas do que cartões de crédito convencionais. Ela destaca que a conta internacional é ideal para quem precisa usar dólares no dia a dia, permitindo que o cliente utilize o saldo diretamente com o cartão da conta.

As plataformas costumam cobrar o IOF completo de 3,5%, além de taxas de corretagem e administração. Para se destacar no mercado, algumas oferecem descontos nessas tarifas, reduzindo o imposto federal pela metade ou a taxa de corretagem para menos de 1% em determinadas condições. Entre as contas internacionais mais populares no Brasil estão Wise, Avenue, Nomad, Revolut, Astropay e fintechs como C6 e Inter.

Para quem busca proteger seu patrimônio, os fundos cambiais, acessíveis por meio de contas de investimento em corretoras brasileiras, são uma boa opção. Nesses fundos, o investidor não precisa lidar diretamente com o câmbio, comprando cotas com rentabilidade atrelada a títulos de dívida internacional ou contratos cambiais. Embora o ativo possa oferecer ganhos com a valorização do dólar, também há risco de perdas se a moeda se desvalorizar.

Os ETFs são outra alternativa recomendada para proteção de patrimônio. Esses fundos, negociados em Bolsa, são compostos principalmente por uma cesta de ativos, incluindo títulos públicos, privados e ações. Eles podem replicar índices de referência, como o S&P 500 e o Ibovespa, o que significa que o retorno do ETF tende a acompanhar o desempenho do índice ou ativo que segue.

Desde que o dólar ultrapassou o piso de R$ 5 na segunda-feira passada, a cotação variou entre R$ 4,95 e R$ 5,01. Novas oportunidades podem surgir, já que a queda da moeda é impulsionada por fatores favoráveis, como a possibilidade de uma trégua no Oriente Médio. Investidores têm buscado oportunidades em países com menor exposição a conflitos geopolíticos.

Após a reeleição de Donald Trump, um movimento conhecido como rotation ganhou força no mercado financeiro global. Essa estratégia visa diversificar carteiras além do mercado norte-americano, que, após anos de valorização, mostra sinais de esgotamento. Mercados emergentes, como o brasileiro, têm se beneficiado dessa tendência.

Outro fator favorável ao Brasil é o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos. Com a Selic no maior patamar em quase duas décadas e a taxa norte-americana em queda gradual, investidores aproveitam para captar recursos no exterior e investir no Brasil, em uma estratégia chamada "carry trade". Isso implica a compra de reais, valorizando a moeda.

Entretanto, existe a possibilidade de o dólar reverter a tendência e voltar a subir. O ano de 2026, que será eleitoral, levanta preocupações sobre a expansão de gastos públicos à medida que a corrida pelo Palácio do Planalto se intensifica. O Boletim Focus da semana passada projeta o dólar a R$ 5,37 ao final do ano.

Para quem deseja comprar dólar, existem algumas opções disponíveis. Contas internacionais ou em dólar, oferecidas por bancos ou plataformas digitais, permitem manter saldo em dólar e investir em ativos como ETFs, com incidência de IOF de 3,5% sobre a operação de câmbio. Cartões internacionais pré-pagos em dólar funcionam como cartões recarregáveis, com saldo adicionado em reais e convertido para dólar, também sujeitos ao IOF de 3,5%. Os ETFs, negociados em Bolsa, podem ser adquiridos como ações, com incidência de IR sobre o ganho de capital, cujas alíquotas variam conforme a classificação do ETF. Os fundos cambiais, que acompanham a variação do dólar, podem ser comprados em corretoras brasileiras, com tabela regressiva de IR e IOF em caso de resgate em menos de 30 dias. A compra de moeda em espécie é oferecida por bancos e casas de câmbio, com cobrança de IOF de 3,5%.


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