O dólar iniciou a sexta-feira (13) com leve queda, após uma forte alta de 1,67% no dia anterior. Os investidores estão atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e ao impacto que isso pode ter no preço do petróleo. O mercado também analisa o anúncio dos Estados Unidos sobre a investigação do Brasil e de mais 60 países por trabalho forçado, o que pode resultar na imposição de novas tarifas de importação.
Às 9h13, a moeda norte-americana registrava uma queda de 0,24%, cotada a R$ 5,2336. Na quinta-feira, o dólar havia fechado em alta de 1,67%, a R$ 5,245, enquanto a Bolsa caiu 2,54%, alcançando 179.284 pontos, em uma sessão marcada por preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Uma nova onda de ataques iranianos a instalações de petróleo e transporte na região intensificou os temores de um conflito prolongado e de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz. Os preços do barril do Brent superaram US$ 100 na madrugada de hoje.
As operações financeiras foram afetadas por uma forte aversão ao risco, refletindo preocupações sobre disrupções nos mercados e um possível aumento da inflação nas principais economias do mundo, à medida que a alta do petróleo pressiona os preços de combustíveis e energia. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a interrupção no fornecimento pode ser a maior da história. Em seu relatório mensal, a AIE previu uma queda na oferta global de 8 milhões de barris por dia em março, devido ao estrangulamento do Estreito de Hormuz, que é responsável por 20% do petróleo e gás mundial.
Países do Golfo, como Iraque, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, reduziram a produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia, o que representa 10% da demanda global. A AIE destacou que, sem uma rápida recuperação nos fluxos de transporte, essas perdas podem aumentar. A produção paralisada pode levar semanas ou meses para retornar aos níveis anteriores à crise, dependendo da complexidade do campo e do tempo necessário para que trabalhadores e equipamentos voltem à região.
Na quarta-feira, a AIE aprovou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas, a maior ação desse tipo na história da organização, que inclui 32 países, como os Estados Unidos. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, anunciou que 172 milhões de barris estarão disponíveis "a partir da próxima semana". No entanto, essa medida pode levar quase um mês para ser implementada, segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, e é considerada um paliativo por especialistas.
A escalada das preocupações sobre interrupções no fornecimento fez com que o barril do Brent subisse mais de 8%, sendo cotado a US$ 99. O pico foi alcançado às 23h30 de quarta-feira (horário de Brasília), a US$ 101,53. O porta-voz militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que o preço do petróleo pode chegar a US$ 200 o barril, dependendo da segurança regional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou que a alta nos preços do petróleo pode resultar em grandes lucros para o país, mas sua prioridade continua sendo impedir que o Irã obtenha armas nucleares. A disparada do petróleo também está provocando uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos EUA, com o mercado adiando o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve de julho para setembro. Os rendimentos dos Treasuries estão subindo, fortalecendo o dólar no exterior.
No Brasil, em resposta ao aumento do petróleo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma medida provisória que zera o PIS e o Cofins do óleo diesel, estabelece o pagamento de subvenção a produtores e importadores e institui um imposto de exportação de petróleo. Com essas medidas, o governo estima uma redução de R$ 0,64 no litro do diesel vendido na bomba. Os postos de combustíveis devem anunciar a redução do imposto, conforme um decreto que ainda será editado.
Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro gerou preocupações sobre o ciclo da taxa Selic a partir de março. O índice subiu 0,7% em fevereiro, um aumento mais acentuado do que o registrado em janeiro, que foi de 0,33%. A expectativa era de uma alta de 0,64%, segundo a agência Bloomberg. No acumulado de 12 meses, o índice subiu 3,81%, em comparação com os 3,77% projetados.
O IPCA influencia a curva de juros futuros, com agentes do mercado acreditando em chances maiores de o Banco Central cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana, em vez de 0,50 ponto, como era esperado antes da guerra. A taxa de juros está em 15% ao ano desde junho de 2025. André Valério, economista sênior do Inter, destacou que o dado de fevereiro foi o menor desde 2020, indicando que a piora nas últimas leituras pode ser mais atribuída à sazonalidade do que a uma reversão do processo de desinflação.
Ele também apontou que os impactos potenciais da guerra no Irã são motivo de preocupação, pois a inflação do país pode ser afetada pela alta dos preços do petróleo e de fertilizantes. Valério sugeriu que, em meio a essa incerteza, o Copom pode optar por uma abordagem mais cautelosa na reunião da próxima semana, embora ainda espere um corte inicial de 0,5 ponto, considerando o aperto monetário e o bom comportamento do câmbio durante esse episódio.
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