O dólar iniciou a sexta-feira (6) em queda, acompanhando a desvalorização da moeda norte-americana em relação a várias divisas no exterior. No Brasil, o mercado analisa as novas projeções econômicas divulgadas pelo Ministério da Fazenda. O órgão elevou a previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2025 de 2,2% para 2,3% e reduziu a expectativa de crescimento para 2026 de 2,4% para 2,3%. A projeção de inflação para este ano foi ajustada de 3,5% para 3,6%.
Às 9h08, o dólar apresentava uma queda de 0,42%, sendo cotado a R$ 5,2319. Na quinta-feira (5), a moeda havia fechado em alta de 0,04%, a R$ 5,253, enquanto a Bolsa avançou 0,23%, alcançando 182.127 pontos. O mercado reagiu a uma entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou que sua viagem a Washington para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve ocorrer na primeira semana de março. Lula destacou a importância do diálogo direto entre os líderes das duas maiores democracias do Ocidente, enfatizando a necessidade de discutir questões que afetam ambos os países, como exportações, indústria e exploração de minerais críticos.
Em relação ao escândalo da liquidação do Banco Master, o presidente mencionou que essa situação representa uma oportunidade real de combater a corrupção ligada à lavagem de dinheiro no Brasil. Lula também comentou sobre a alta taxa de juros no país, mas ressaltou que a economia continua a crescer. Ele afirmou que os bons resultados econômicos podem se traduzir em votos, referindo-se à corrida eleitoral deste ano.
Uma pesquisa da Meio Ideia, divulgada na quarta-feira, mostrou que Lula está em empate técnico com Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) em simulações de segundo turno. A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos percentuais. Em um possível segundo turno com Flávio, Lula alcança 45,8%, enquanto o senador tem 41,1%. Na disputa com Tarcísio, Lula registra 44,7%, contra 42,2% do governador. Com Michelle, Lula marca 40,7% ante 45% do pré-candidato à reeleição. As diferenças estão dentro da margem de erro.
Desde o recesso de fim de ano, o mercado tem mantido cautela em relação à corrida presidencial, aguardando o retorno dos parlamentares em março e a oficialização das candidaturas em abril. Os operadores esperam por sinais de mudanças na política econômica a partir de 2027. Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, afirmou que o mercado é apolítico e se concentra na taxa de juros e seu impacto sobre ativos de risco. Ele destacou que a taxa restritiva de 15% é resultado de um fiscal mais expansionista, com expectativas de que a oposição traga um fiscal mais austero.
O cenário internacional também influenciou o mercado. Nos Estados Unidos, as vagas de emprego em aberto caíram para o menor nível em mais de cinco anos em dezembro, com uma redução de 386 mil, totalizando 6,542 milhões. O Banco da Inglaterra decidiu manter a taxa de juros de referência em 3,75%, após uma votação apertada de 5 a 4. O Banco Central Europeu também manteve suas taxas inalteradas, sem indicar os próximos passos.
A fraqueza no mercado de trabalho dos EUA e as decisões sobre juros contribuíram para ganhos do dólar globalmente. O índice DXY, que compara a moeda a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,16%, atingindo 97,77 pontos. No entanto, a divisa norte-americana não conseguiu se valorizar no Brasil. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observou que o ambiente global de cautela pressiona moedas emergentes, mas a entrada de recursos estrangeiros na Bolsa, especialmente em bancos, tem limitado uma alta mais acentuada do dólar.
Na Bolsa, a temporada de balanços se destacou. O Itaú Unibanco reportou um lucro líquido de R$ 46,8 bilhões em 2025, um aumento de 13,1% em relação ao ano anterior, estabelecendo um novo recorde para um banco brasileiro, ajustado pela inflação. As ações do Itaú subiram 2%. Axxia, antiga Eletrobras, teve alta de 4%, enquanto a MRV liderou os ganhos com 6,6%. Por outro lado, Vale e Petrobras apresentaram quedas de 1,4% e 3,33%, respectivamente, e a Braskem registrou a maior queda entre as empresas do índice, com 4,55%.
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