N/A

Dólar abre em queda nesta sexta-feira com investidores aguardando leilão do BC

4 views
Dólar sobe com persistente aversão a risco externo por ameaças de Trump

O dólar iniciou a sexta-feira (20) em queda, enquanto investidores aguardam a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos. As tensões entre os EUA e o Irã também permanecem em foco, contribuindo para a desvalorização do petróleo nesta manhã. No Brasil, o mercado se prepara para dois leilões de linha, totalizando US$ 2 bilhões, que serão realizados pelo Banco Central às 10h30.

Às 9h16, a moeda americana registrava uma queda de 0,34%, sendo cotada a R$ 5,2107. Na quinta-feira (19), o dólar havia fechado em baixa de 0,28%, a R$ 5,227. Em contrapartida, a Bolsa de Valores brasileira subiu 1,35%, alcançando 188.534 pontos, impulsionada pela valorização das ações da Petrobras e do petróleo.

Os principais destaques do pregão incluem a divulgação do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que superou as expectativas dos analistas, e o aumento das tensões entre os EUA e o Irã. O crescimento da atividade econômica do Brasil foi de 2,5% em 2025, com um desempenho positivo no quarto trimestre, impulsionado pela agropecuária e pelo setor de serviços, conforme dados do Banco Central divulgados na quinta-feira.

O IBC-Br apresentou uma queda de 0,2% em dezembro em comparação ao mês anterior, um resultado melhor do que a expectativa de uma redução de 0,5% conforme consultado por economistas da Reuters. Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, destacou que o IBC-Br indica uma expansão da atividade econômica, embora em um ritmo mais moderado. Ela ressaltou que esses dados influenciam as expectativas do mercado, especialmente em relação à política monetária e às projeções do PIB.

Quartaroli também mencionou que o resultado reforça a possibilidade de cortes graduais na taxa Selic, atualmente em 15%. Economistas que previam uma redução de 0,50 ponto percentual podem revisar suas expectativas para 0,25 ponto. O Boletim Focus aponta que a Selic deve encerrar 2026 em 12,25%.

A manutenção da taxa de juros elevada no Brasil, a mais alta em quase duas décadas, tem atraído operações de carry trade e sustentado a entrada de capital estrangeiro na renda fixa e na Bolsa. O diferencial entre os juros brasileiros e os norte-americanos aumenta a rentabilidade potencial dessa estratégia, onde investidores captam recursos em economias com juros mais baixos e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil. Isso favorece a valorização do real.

No cenário internacional, as tensões entre os EUA e o Irã continuam a ser um ponto de atenção. Apesar de relatos de progresso nas negociações para evitar um conflito no Oriente Médio, os EUA intensificaram a mobilização militar na região, preparando-se para um possível ataque ao Irã. Entre segunda-feira (16) e quarta-feira (18), foram deslocados pelo menos 78 aviões de caça e ataque, mais que o dobro do número previamente estacionado nas principais bases americanas sob o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, sem contar as 90 aeronaves a bordo do USS Abraham Lincoln.

Na quinta-feira, os preços do petróleo subiram mais de 2%, seguindo o aumento das tensões entre os países. Na véspera, a commodity havia registrado uma alta de 4%. O petróleo Brent, referência global, avançou até 2,36%, sendo cotado a US$ 72,01 o barril, enquanto o petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, subiu 2,65%, alcançando US$ 66,78. Essas cotações são as mais altas desde junho e agosto de 2025, respectivamente.

Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, afirmou que os preços do petróleo refletem um prêmio geopolítico devido aos riscos no Oriente Médio. Cerca de 20% do petróleo mundial transita pelo estreito de Hormuz, uma região estratégica para o escoamento global da commodity. Qualquer ameaça à navegação nessa área impacta as expectativas de oferta. Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, observou que o risco de interrupção na oferta tende a pressionar os preços e gerar reflexos em outros ativos. Ele destacou que o dólar voltou a valorizar-se pontualmente, em meio à maior busca por proteção, e que o mercado de petróleo serve como um termômetro para o risco geopolítico atual.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Rolar para cima