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Dólar abre estável com negociações entre EUA e Irã no radar

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Dólar abre em leve queda nesta sexta-feira após ter disparado um dia antes

O dólar iniciou o dia próximo da estabilidade nesta quarta-feira, 6 de setembro, em meio a um alívio nas tensões relacionadas à guerra no Oriente Médio. Esse movimento acompanha a queda internacional dos preços do petróleo, que chegaram a despencar mais de 10% durante o pregão. Por volta das 9h30, a moeda norte-americana apresentava uma leve alta de 0,06%, cotada a R$ 4,916. No mercado externo, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a outras seis moedas fortes, recuava 0,54%.

Os investidores estão atentos à possibilidade de retomada das negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Um porta-voz do Paquistão, que atua como mediador da trégua, afirmou que os dois países estão próximos de um acordo. O site Axios havia reportado anteriormente que as partes discutem um memorando para encerrar o conflito. Os EUA aguardam respostas do Irã sobre pontos-chave nas próximas 48 horas, momento que pode ser considerado o mais próximo de um acordo desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Com essas notícias, o barril de petróleo Brent, referência mundial, chegou a cair 11,92%, sendo negociado a US$ 96,77 às 8h, valor abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde 23 de abril. Na terça-feira, 5 de setembro, o dólar havia fechado em queda de 1,09%, cotado a R$ 4,912, enquanto a Bolsa subiu 0,62%, alcançando 186.753 pontos. Essa cotação foi a menor desde 26 de janeiro de 2024, quando o dólar atingiu R$ 4,911.

O pregão no Brasil foi impulsionado pelo maior apetite global por risco e pela repercussão da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). A queda nos preços internacionais do petróleo fez com que investidores buscassem ativos de maior risco, como mercados emergentes e ações. O documento do Banco Central reforçou uma postura cautelosa, interpretada como positiva por analistas, ao sustentar o diferencial de juros do Brasil.

Os investidores continuaram a monitorar o cenário de tensão no Oriente Médio, que impacta os mercados doméstico e internacional. Relatos sobre a passagem de embarcações animaram analistas e influenciaram as cotações do petróleo. O conflito na região bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz, onde cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás transita. Essa paralisação gera preocupações sobre um possível aumento inflacionário global, que poderia elevar os preços do petróleo.

As cotações da commodity subiram mais de 5% na segunda-feira, 4 de setembro, mas apresentaram queda na terça. Por volta das 17h, o Brent era negociado a US$ 110,13, em queda de 3,78%. O apetite por risco foi observado globalmente, com as Bolsas dos EUA, S&P 500 e Nasdaq, alcançando recordes de fechamento, com altas de 0,88% e 1,03%, respectivamente.

No câmbio, o dólar também se desvalorizou em relação a moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano. O otimismo foi impulsionado pela passagem de navios pelo estreito. A empresa Maersk informou que um de seus navios-petroleiros, o Alliance Fairfax, conseguiu atravessar a via sem incidentes.

Entretanto, incertezas ainda permanecem. Nesta tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a capacidade militar do Irã, sugerindo que o país deveria "hastear a bandeira branca". Em resposta, Teerã intensificou suas ameaças. Mohamad Bagher Ghalibaf, chefe do Parlamento e principal negociador do Irã, afirmou que a continuidade da situação atual é insustentável para os EUA.

No cenário doméstico, a ata do Copom foi o principal destaque. O documento, divulgado na terça-feira, indicou que o comitê percebe impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e uma piora nas expectativas a longo prazo. O colegiado optou por um ajuste conservador, considerando que as projeções para a inflação estão mais distantes da meta de 3% e não sinalizou claramente os próximos passos.

O alvo central do Banco Central é 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No acumulado de 12 meses até março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 4,14%. O IPCA-15, que antecipa a inflação oficial do país, mostrou em abril pressão sobre os preços de combustíveis e alimentos. Apesar disso, o comitê afirmou que os eventos recentes não impedem a continuidade do ciclo de queda de juros, considerando a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica como a mais adequada.

Dirigentes do Copom já afirmaram que o ritmo de corte deve continuar, uma vez que a Selic apresenta uma "gordura extra". Analistas destacam que a ata não define os próximos passos do Copom, mas reforça uma postura de maior cautela da instituição. Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, considera a ata uma peça-chave para calibrar as expectativas sobre a Selic, especialmente após a recente alta do petróleo e o aumento das incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, observa que a ata não sinaliza um corte em junho, mas também não descarta a possibilidade de reduções. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, afirma que o comunicado indica que a taxa está sendo reprecificada para cima, sugerindo que os juros reais altos devem permanecer por mais tempo.

A postura cautelosa do Copom indica que o diferencial de juros do Brasil deve se manter, especialmente em relação aos EUA. Na quarta-feira passada, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. No mesmo dia, o Copom anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, reduzindo a Selic para 14,5% ao ano.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, acredita que a combinação de um dólar global mais fraco e um fluxo favorável para ativos de risco beneficia o Brasil. Ela ressalta uma percepção de descompressão no Irã, apesar da fragilidade do cessar-fogo. Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, destaca que a queda do dólar indica que o diferencial de juros doméstico está voltando a ser considerado. A combinação de um dólar global mais estável, a entrada de recursos para renda fixa local e o desempenho favorável das commodities sustentam o real. Além disso, a leitura de uma política monetária ainda contracionista no Brasil reforça o carry trade.

No carry trade, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhos com o diferencial de juros. Esse comportamento é apontado como um dos principais responsáveis pela recente alta da Bolsa e pela valorização do real.


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