Moeda americana atingiu o menor patamar desde março de 2024. Entenda como essa queda impacta nas contas domésticas
Pela primeira vez em pouco mais de dois anos, o brasileiro acordou com uma notícia que mexe diretamente com o orçamento doméstico: o dólar ficou abaixo de R$ 5,00.
Nesta segunda-feira, 13, a moeda consolidou um recuo que não era visto desde o início de 2024, gerando um otimismo cauteloso no mercado e nas prateleiras dos supermercados.
Mas, afinal, o que faz a moeda cair e como isso chega até você?
Por que o dólar caiu?
De acordo com Antonio Carvalho, professor e consultor de economia, em entrevista ao Portal A TARDE, o cenário é resultado de uma combinação de fatores.
“A retração do Dólar frente ao Real se deve a alguns fatores: o, ainda que pleno, alívio nas tensões no conflito EUA/Israel x Irã; os juros elevados e a alta na entrada de capital transeuropeias no Brasil”, explica o especialista.
O impacto no seu bolso
Ainda conforme Antônio, a queda da moeda funciona como uma “âncora” para a inflação. Quando o dólar baixa, o custo de importar produtos essenciais também cai, o que deve ser sentido em breve nas gôndolas.
“Pode trazer um alívio ao bolso do brasileiro com redução da inflação dos produtos importados como fertilizantes, trigo e produtos industrializados que, com o Dólar mais baixo, entrarão mais baratos no país”, destaca Carvalho.
Isso significa que itens como o pão francês, macarrão, eletrônicos e até a gasolina ganham um fôlego contra novos aumentos, já que seus custos de produção ou matéria-prima são atrelados à moeda americana.
O que muda na prática para o brasileiro?
A queda do dólar funciona como um “alívio invisível”. Embora você ainda receba o mesmo salário, o seu poder de compra aumenta porque o custo de produção de muita coisa diminui.
Comida na mesa
Itens como pão francês, massas e bolachas dependem do trigo, que é em grande parte importado. Com o dólar mais barato, a farinha custa menos para os moinhos. Além disso, carnes e leite podem ter fôlego nos preços, já que a ração dos animais (soja e milho) segue cotações internacionais.
Eletrônicos e celulares
Se você estava esperando para trocar de smartphone ou notebook, o momento é favorável. Componentes eletrônicos são quase 100% cotados em dólar. As varejistas tendem a repassar essa redução para o consumidor final em novas remessas de estoque.
Gasolina e frete
A Petrobras utiliza o preço internacional como referência. O dólar baixo ajuda a segurar os aumentos nas refinarias. Isso gera um efeito cascata: se o combustível não sobe, o frete dos alimentos que chegam às feiras também fica estável.
Viagens e compras online
Planejando as férias? O dólar turismo acompanha a queda, barateando passagens aéreas e hospedagens. Além disso, as compras em sites internacionais (como Shopee, Shein e Amazon) ficam mais baratas no fechamento da fatura do cartão.
O dilema de quem produz: indústria e agro
Nem tudo são flores para todos os setores. O professor Antonio Carvalho explica que há dois lados da moeda para quem produz:
- O lado bom: fica mais barato comprar fertilizantes para as plantações e máquinas modernas para as fábricas.
- O lado ruim: na hora de vender os produtos para o exterior, as empresas recebem menos reais por cada dólar. Isso pode reduzir a margem de lucro de grandes exportadores.
A queda vai continuar?
Segundo Carvalho, é difícil prever o futuro a longo prazo. “O conflito no Oriente Médio envolve questões ideológicas e religiosas que vão além da economia, o que mantém o preço do petróleo em alerta”, afirma.
Além disso, se a inflação cair por causa do dólar baixo, o Banco Central pode baixar os juros, o que tornaria o Brasil menos “atraente” para os investidores, podendo fazer a moeda subir novamente.
O que fazer agora?
Para o consumidor, a recomendação é aproveitar a estabilidade de preços para itens de necessidade e monitorar as promoções de eletrônicos, mas manter o pé no chão, já que o cenário internacional ainda é volátil.
Fonte: A Tarde
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