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Duas Rosas: Geddel teria feito cobranças para receber R$ 1 milhão de Uldurico Jr. após eleições de 2024, diz depoimento

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Duas Rosas: Geddel teria feito cobranças para receber R$ 1 milhão de Uldurico Jr. após eleições de 2024, diz depoimento

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, uma das principais figuras do MDB na Bahia, foi mencionado no depoimento da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, como um possível beneficiário de uma propina de R$ 2 milhões relacionada à fuga de 16 detentos da unidade prisional, ocorrida em dezembro de 2024. Segundo a delação premiada, Geddel teria combinado com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, que na época era filiado ao MDB, o recebimento de R$ 1 milhão, metade do total.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) destacou que Geddel foi identificado como um potencial beneficiário dos valores provenientes da fuga, enquanto Uldurico Alves Pinto, pai de Uldurico Jr., foi apontado como intermediário no repasse de vantagens indevidas. O MP-BA enfatizou a necessidade de aprofundar as investigações diante das evidências apresentadas.

O portal Bahia Notícias teve acesso ao depoimento de Joneuma e publicou uma série de reportagens intitulada “Duas Rosas”, sendo esta a segunda. A primeira parte abordou a relação entre Joneuma e Uldurico Jr., além de uma procura feita após as eleições de 2024. Durante o depoimento, Geddel é mencionado em diálogos de um aplicativo de mensagens como “chefe”, onde ele aparece tanto fazendo cobranças quanto atuando como consultor para Joneuma e Uldurico em momentos de tensão.

Após a fuga dos detentos e o afastamento de Joneuma do cargo, ela expressou nervosismo em mensagens, e Uldurico tentou tranquilizá-la, afirmando que Geddel havia pedido tempo. Em outra mensagem, Uldurico sugeriu que Geddel orientou Joneuma a manter discrição, pois a decisão judicial se restringia ao afastamento administrativo. Joneuma, preocupada com a possibilidade de prisão preventiva, criticou o superintendente de Gestão Prisional da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), insinuando que a Seap estaria manipulando depoimentos contra ela em conluio com o desembargador Roberto Maynard Frank.

Uldurico alegou que Geddel ficaria com metade da propina de R$ 2 milhões, mas não há evidências diretas de que Geddel tivesse conhecimento da colaboração entre Uldurico e a facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Em mensagens enviadas a Geddel, Uldurico tentou desviar a culpa para Luciano Teixeira, superintendente da Seap, afirmando que ele estava por trás da fuga. Geddel, por sua vez, respondeu de forma enfurecida, reclamando das constantes queixas de Uldurico e prometendo mostrar os erros cometidos por Joneuma na gestão do presídio.

Os diálogos entre Joneuma e Uldurico revelam que Geddel estava cobrando o pagamento da propina após as eleições de 2024. Em uma conversa, Uldurico expressou preocupação sobre o que diria a Geddel sobre o pagamento, referindo-se ao dinheiro como “rosa”. Quando Uldurico informou que os valores ainda não haviam sido entregues, Geddel reagiu com risadas, o que deixou Uldurico alarmado, levando-o a acreditar que o partido estava se preparando para prejudicá-lo.

Além de Geddel, um ex-candidato a vereador de Eunápolis, identificado como Cley da Autoescola, também foi mencionado como um dos articuladores da fuga. O MP-BA indicou que Cley tinha relações próximas com familiares de líderes da facção PCE e participou de encontros que discutiram o adiantamento da propina, incluindo um almoço em sua residência e uma reunião em um restaurante local.


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