O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a existência de um excesso de estímulo fiscal na economia sob o governo Lula. Ele defendeu a utilização de políticas públicas, como a segunda edição do Desenrola e a aplicação de benefícios e subsídios setoriais, para corrigir desarranjos econômicos. Durante sua participação no programa Roda Viva, nesta segunda-feira (4), Durigan afirmou que os altos juros no país não são causados pela política fiscal. Ele destacou que houve corte de juros em 2023, mesmo com um resultado primário pior do que o esperado para 2024 e 2025. Embora esses anos tenham apresentado déficit, foi um valor pequeno, e houve uma melhora gradual nas contas públicas.
A Folha de S.Paulo reportou que a possibilidade de o governo Lula acelerar um pacote de benefícios em ano eleitoral gerou preocupações sobre o impacto dessas medidas na política de juros e no combate à inflação do Banco Central. Durigan apontou que a principal barreira para uma redução mais rápida da Selic é a pressão inflacionária causada pela guerra no Irã. Ele enfatizou que o Brasil não deve ser "sócio da guerra" e que as políticas fiscais não devem depender do desenrolar do conflito.
O ministro mencionou a crise das chuvas no Rio Grande do Sul e a guerra comercial promovida pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, como exemplos de políticas direcionadas para evitar crises mais profundas em setores afetados. Durigan afirmou que o país não está em um "paraíso fiscal", reconhecendo os desafios que ainda existem. Ele destacou que as políticas econômicas adotadas nos últimos tempos representaram um esforço significativo de 2% do PIB.
Durigan também comentou que não há uma "bala de prata" para resolver os problemas dos gastos públicos, mas é essencial continuar com as políticas que melhorem a vida da população e evitem que o Brasil retorne ao mapa da fome. Ele atribuiu parte do aumento da dívida federal aos juros altos. O ministro expressou a expectativa de que os efeitos do novo Desenrola sejam sentidos em conjunto com a queda da taxa de juros, como ocorreu após o lançamento da primeira fase do programa em 2023. Ele observou que a retomada da alta dos juros em meados de 2024 contribuiu para o aumento da inadimplência.
Durigan explicou que o governo aprendeu com os erros da primeira versão do programa e facilitou o acesso à plataforma de renegociação, permitindo que os bancos contatassem diretamente os devedores. Ele também mencionou a possibilidade de bloquear gastos com casas de apostas após a adesão ao programa como uma melhoria.
O ministro expressou seu desejo de que a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF não interfira na pauta econômica do Congresso Nacional. Ele reafirmou seu compromisso em tratar das questões econômicas sem a aprovação de pautas-bombas. Durigan classificou o caso Master como grave e defendeu a punição dos envolvidos, atribuindo a responsabilidade principal à gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que autorizou a operação do Banco Master.
Ele afirmou que não é responsabilidade do governo federal salvar o BRB (Banco de Brasília), considerando isso um problema do governo do Distrito Federal. O banco estadual busca soluções para evitar sua liquidação após operações com o Banco Master que resultaram em um rombo de pelo menos R$ 12 bilhões. Durigan afirmou que o governo só deve intervir se houver risco sistêmico apontado pelo Banco Central, ressaltando que não se pode usar dinheiro público para salvar um banco que fez negócios sem explicação.
O ministro também abordou os problemas financeiros dos Correios, que devem resultar em um rombo de R$ 10 bilhões neste ano. Ele defendeu a necessidade de encontrar uma solução para a crise no serviço postal brasileiro e se mostrou aberto a algum tipo de flexibilização da companhia, como a criação de uma joint venture ou parcerias com o setor privado.
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