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Elos com Vorcaro pressionam Toffoli no Supremo; entenda

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Elos com Vorcaro pressionam Toffoli no Supremo; entenda

Os questionamentos sobre as conexões do ministro do STF, Dias Toffoli, com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, aumentaram desde que a relação entre eles foi revelada pela Folha de São Paulo em janeiro. A investigação da Polícia Federal sobre o caso pode trazer respostas a essas dúvidas. Embora o ministro não esteja sendo investigado pela PF, já que isso exigiria autorização do próprio Supremo, a Folha destacou que há suspeitas de crimes financeiros em fundos relacionados ao resort Tayayá, do qual a família de Toffoli foi ex-sócia.

A PF elaborou um relatório de 200 páginas sobre as relações entre Toffoli e Vorcaro, que foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro. Apesar das descobertas, Fachin não autorizou uma investigação contra o ministro, mas a situação resultou na transferência da relatoria do caso para o ministro André Mendonça. Assim, qualquer avanço nas investigações que envolvam Toffoli dependerá das decisões de Mendonça.

O relatório da PF incluiu conversas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, nas quais discutem pagamentos a Toffoli. Os diálogos sugerem que Vorcaro teria determinado repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao ministro. A primeira menção à conexão entre Toffoli e Vorcaro ocorreu em uma reportagem da Folha em 11 de janeiro, que revelou que o resort Tayayá tinha como sócios uma empresa de dois irmãos do ministro e um fundo vinculado à rede fraudulenta do Banco Master.

Na época, as ações de Toffoli em relação ao caso geraram estranhamento entre os órgãos que investigavam a situação. Em dezembro, o ministro convocou uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor do Banco Central, Ailton de Aquino. Essa convocação colocou Aquino como um dos investigados, seguindo a defesa de Vorcaro de que a liquidação do Banco Master, decretada em novembro, foi precipitada.

Após a repercussão, Toffoli alterou a solicitação para depoimentos individuais, que ocorreram em 30 de dezembro, enquanto ele estava hospedado no resort Tayayá. A parceria no resort, localizado em Rio Claro, Paraná, começou em setembro de 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro e de seus irmãos, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões. O Arleen faz parte de uma extensa cadeia de fundos utilizados pelo Banco Master, conforme as investigações da PF e do Banco Central. O controlador do fundo é Fabiano Zettel, que também atua como operador financeiro de Vorcaro.

Zettel aplicou R$ 26 milhões no fundo Leal no segundo semestre de 2022. A Maridt deixou a sociedade nas empresas do grupo Tayayá em fevereiro do ano passado, quando sua participação foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa. Barbosa, advogado goiano, atuou diversas vezes para a JBS, do grupo J&F. Quando ele comprou a participação do Arleen no Tayayá, o fundo já não pertencia mais a Zettel, mas sim a Alberto Leite, amigo de Toffoli.

Na época da revelação, Toffoli não mencionou que era sócio da Maridt, informação que foi divulgada apenas em 12 de fevereiro, após a produção do relatório da PF. Em maio de 2024, Vorcaro questionou Zettel, por mensagem de WhatsApp, sobre a situação dos repasses, expressando preocupação com sua situação financeira. Zettel confirmou que o aporte final dependia de um intermediário. Vorcaro demonstrou irritação com a demora e pediu que Zettel levantasse todos os aportes realizados no Tayayá.

Em nota enviada por Toffoli, o ministro afirmou que nunca teve qualquer relação de amizade com Daniel Vorcaro e que nunca recebeu valores dele ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. Toffoli descreveu a Maridt como uma empresa familiar, registrada na Junta Comercial e com declarações anuais à Receita Federal, ressaltando que todas as suas declarações foram aprovadas. Ele também afirmou que as vendas de participações no Tayayá foram devidamente declaradas e realizadas a valores de mercado. A defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou sobre o assunto.


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