A construtora LCM, investigada por suspeitas de fraudes em licitações e envolvida em um suposto cartel no setor de asfalto, continua a manter contratos para a execução de obras e serviços de manutenção em rodovias federais na Bahia. Segundo investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a LCM é considerada a principal articuladora de um esquema que envolve contratos totalizando cerca de R$ 17 bilhões, com pagamentos que ultrapassam R$ 12 bilhões.
As investigações revelam que as empresas utilizaram sociedades em conta de participação para repassar obras, uma prática proibida em licitações públicas, que permite a presença de sócios ocultos nos contratos com o poder público. Um levantamento realizado pelo Bahia Notícias, com base em dados do Portal da Transparência do Governo Federal, indica que a LCM está envolvida em pelo menos seis contratos com a superintendência regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) na Bahia.
Entre os contratos, destaca-se a licitação mais antiga, firmada em 2014 e prorrogada até 2027, que prevê a execução de obras de duplicação, implantação de vias laterais e restauração em um trecho da BR-116, com um valor de R$ 176,7 milhões. Embora o contrato esteja em nome de uma única empresa, ele envolve um consórcio com mais duas empreiteiras e abrange um trecho de aproximadamente 98 quilômetros, que vai da divisa de Pernambuco à divisa da Bahia com Minas Gerais.
Outro contrato da construtora refere-se a serviços de manutenção e recuperação da BR-030, no trecho entre a divisa de Goiás e a Bahia e o município de Campinho. Com vigência de fevereiro de 2025 a julho de 2028, o contrato tem um valor estimado em R$ 35,1 milhões e prevê intervenções ao longo de 96,6 quilômetros da rodovia. Além disso, a LCM firmou um segundo contrato na BR-030 em 2023, que abrange serviços de conservação e recuperação em um trecho de 77,7 quilômetros entre Ubaitaba e Campinho, com vigência até setembro de 2026 e valor de aproximadamente R$ 29,8 milhões.
Na BR-235, a LCM assumiu um contrato em dezembro de 2024 para serviços de manutenção rodoviária em trechos que conectam a Bahia a outros estados do Nordeste. As intervenções, que incluem acessos nos municípios de Juazeiro e Uauá, têm vigência até 2028 e valor estimado em R$ 48,9 milhões. A construtora também está contratada para a manutenção e recuperação da BR-324, uma das principais rodovias federais da Bahia, com um contrato de R$ 35 milhões, firmado em maio de 2025, que prevê intervenções em um trecho que vai da divisa do Piauí até a capital Salvador, com vigência até março de 2026.
Além das rodovias federais, a LCM participa de um contrato emergencial para a manutenção do desvio provisório da ponte sobre o Rio Jequitinhonha, que abrange serviços de conservação e recuperação em um total de cerca de 73 quilômetros de rodovias estaduais e federais, com valor atualizado em R$ 32,5 milhões. O DNIT informou que está colaborando com as investigações para esclarecer os fatos e repudia qualquer prática fraudulenta ou ato de corrupção, ressaltando que não tem ingerência direta na elaboração ou no envio de propostas pelas empresas nos processos licitatórios.
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