As investigações da Polícia Federal revelam que Eduardo Sodré, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), teve um papel ativo nas cobranças ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Eduardo Mendonça Sodré Martins, advogado e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia, foi nomeado para o cargo em janeiro de 2023, com a indicação atribuída a Jaques Wagner.
Nesta quinta-feira (18), a assessoria da Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia tentaram contatar Sodré, mas não obtiveram resposta. O secretário e sua esposa, Bonnie Bonilha, foram alvos de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na mesma data.
Bonilha é sócia da BN Financeira Ltda., que, em 17 de outubro de 2025, recebeu repasses de R$ 3,5 milhões da PLK One Participações, empresa ligada à operação Credcesta. As investigações indicam que a BN Financeira foi criada como microempresa, com capital social reduzido e sem estrutura operacional compatível com os valores movimentados.
A Polícia Federal aponta que Sodré era responsável por cobranças ao banqueiro Augusto Lima, mencionando boletos, notas fiscais e documentos necessários para a formalização de pagamentos. Em 4 de setembro de 2025, ele enviou uma mensagem a Lima alertando sobre o vencimento de boletos. Lima respondeu que a situação financeira estava crítica, atribuindo a dificuldade ao veto do Banco Central à venda do Banco Master ao BRB no dia anterior.
Além disso, foram encontradas planilhas no celular do advogado Daniel Lopes Monteiro, associado a Augusto Lima, que continham pagamentos de R$ 2,3 milhões a "Dudu", apelido que, segundo a investigação, se refere a Eduardo. O Credcesta, originado da rede de supermercados estatal Cesta do Povo, foi privatizado em 2018 durante a gestão do ex-governador Rui Costa (PT). Este cartão consignado oferece benefícios a servidores e possui exclusividade de 15 anos no governo da Bahia, com taxa de juros de 4,7%, comprometendo até 30% da renda dos usuários.
Diante da dificuldade em expandir o Credcesta para o mercado nacional, Augusto Lima buscava recursos de investidores para manter a operação na Bahia por meio de um fundo. A Bahia é o único estado onde o Credcesta mantém exclusividade para operar até 2033. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) declarou em abril que não descarta a possibilidade de suspender o contrato de operação do Credcesta, aguardando um parecer da Procuradoria-Geral do Estado.
Em janeiro, Jaques Wagner comentou à Folha que, embora tenha conhecido Lima em um ambiente institucional, eles se tornaram amigos. Ele também afirmou que a venda da Cesta do Povo foi um bom negócio para a Bahia, considerando as dificuldades financeiras enfrentadas pela estatal.
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