O deputado Marcos Pereira (SP), presidente do Republicanos, expressou suas preocupações ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada de trabalho 6×1. Em entrevista à Folha, Pereira manifestou sua discordância em discutir o tema em um ano eleitoral, destacando que Motta decidiu pautar a PEC para evitar que o governo Lula (PT) apresentasse um projeto de lei, buscando assim dar protagonismo à Câmara.
Pereira argumenta que a redução da jornada de trabalho pode prejudicar a competitividade das empresas brasileiras, afirmando que "quanto mais trabalho, mais prosperidade". Ele acredita que, se as pessoas tivessem condições de lazer, a demanda seria válida, mas lamenta que "o povo não tem dinheiro, infelizmente". O deputado alerta que a falta de opções de lazer pode levar a problemas sociais, como a exposição a drogas e jogos de azar, questionando o que seria o lazer para pessoas em comunidades carentes ou no sertão nordestino.
O Republicanos planeja aumentar sua bancada no Congresso após as eleições de 2026, com a expectativa de conquistar mais de dez deputados, focando em candidaturas em estados onde o desempenho foi inferior em 2022. Entre os filiados do partido está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Pereira também comentou sobre a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, segundo ele, ocupou o espaço deixado pela prisão de Jair Bolsonaro (PL), mas criticou a falta de diálogo nas decisões sobre a pré-candidatura presidencial de Flávio.
Pereira revelou sua preocupação com a PEC 6×1, afirmando que já expressou sua contrariedade a Motta. Ele considera que o debate poderia ser adiado para outro momento, pois em ano eleitoral é um tema sensível que pode expor a Câmara. O deputado mencionou que, em algumas situações, pode ser necessário votar a favor de propostas para evitar mal-entendidos com os eleitores. Ele citou notas técnicas do setor produtivo que indicam que a PEC pode encarecer ainda mais a situação, prejudicando a competitividade.
Quando questionado sobre a comparação feita por Motta entre a PEC e a criação da CLT e o fim da escravidão, Pereira disse que ficou surpreso. Ele destacou que a CLT, apesar de seus méritos, apresenta muitos problemas, especialmente quando comparada a países com pleno emprego e economias mais robustas. Pereira ressaltou que a indústria nacional reclama sobre o custo trabalhista e tributário no Brasil em comparação com outros países, especialmente em relação à concorrência com a China.
Sobre a demanda popular por mais tempo de lazer, Pereira acredita que mais trabalho resulta em mais prosperidade. Ele reconhece a importância do lazer, mas alerta que o ócio excessivo pode ser prejudicial. O deputado mencionou casos de pessoas que, ao pararem de trabalhar, enfrentaram problemas de saúde. Ele questionou onde as pessoas de baixa renda poderiam desfrutar de lazer, enfatizando que a falta de recursos pode levar a consequências negativas.
Em relação ao escândalo do Banco Master, Pereira afirmou que a situação está sob investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. Ele destacou a importância de investigar o uso de dinheiro público e garantir que, se houver fraudes, os responsáveis sejam penalizados. O deputado também comentou sobre o fundo garantidor de crédito, que é um recurso privado, e ressaltou que o Banco Central e os bancos devem se organizar em relação a isso.
Pereira expressou preocupação com vazamentos seletivos que lembram o período da Lava Jato, mas não se posicionou sobre a possibilidade de perseguição por parte da Receita e da Polícia Federal. Ele não classificou a escolha de Flávio Bolsonaro sem consulta aos partidos como um erro, mas como uma falta de habilidade que pode dificultar o diálogo. Pereira relatou que, após ser convidado para um jantar com Flávio e outros presidentes, não recebeu resposta após se disponibilizar.
O deputado também comentou sobre a situação política atual, afirmando que não há vácuo na direita, pois Flávio Bolsonaro ocupou esse espaço. Ele observou que, com o apoio de Bolsonaro, Flávio já teria uma base sólida de apoio. Pereira se absteve de opinar sobre a possibilidade de um golpe de Estado, afirmando que isso requer o apoio das Forças Armadas e que não participou dos eventos que levaram à prisão de Bolsonaro.
Sobre a estratégia do governo de rotular o Congresso como inimigo do povo, Pereira afirmou que isso não o incomoda. Ele se declarou liberal na economia e a favor da privatização de diversas empresas públicas, exceto algumas consideradas inegociáveis, como Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica e Petrobras.
Marcos Pereira, de 53 anos, nasceu em Linhares (ES), é advogado, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente nacional do Republicanos. Ele está em seu segundo mandato como deputado federal e foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo Temer (MDB).
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